Após derrota na Câmara, ex-prefeito Douglas Willkys pode enfrentar obstáculos para disputar eleições futuras

TIMÓTEO – A Câmara Municipal de Timóteo rejeitou, nesta segunda-feira (22), as contas do ex-prefeito Douglas Willkys referentes aos exercícios financeiros de 2019 e 2020. A decisão foi tomada por ampla maioria e pode trazer reflexos significativos para o futuro político do ex-chefe do Executivo municipal, inclusive em relação à sua participação em futuras disputas eleitorais.
A votação foi concluída por volta das 18h30 e apresentou o mesmo resultado para os dois exercícios analisados: 12 votos pela rejeição e três pela aprovação das contas. Votaram favoravelmente ao parecer das contas do ex-prefeito os vereadores Adriano Alvarenga, Diogo Siqueira e Renara Cristina. Pela rejeição se manifestaram Lair Bueno, Fabiano Ferreira, Pastora Sônia, Marcus Fernandes, Wladimir Careca, Reygler Max, Brinnel Tozatti, Fred Gualberto, Leninha Dimas, Omar Onraca, Thiago Torres e Raimundinho.
A decisão da Câmara chama a atenção porque contraria o parecer prévio do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que havia recomendado a aprovação das contas com ressalvas. O órgão de controle entendeu que as irregularidades identificadas não provocaram impacto material significativo nas finanças do município, aplicando o princípio da insignificância. O Ministério Público de Contas também havia se manifestado pela aprovação.
Apesar disso, a Comissão de Orçamento e Finanças Públicas da Câmara Municipal, composta pelos vereadores Lair Bueno, Leninha Dimas e Thiago Torres, concluiu pela rejeição das contas. No entendimento da comissão, houve irregularidade grave e insanável relacionada à abertura de créditos adicionais sem a devida cobertura financeira.
Segundo o presidente da comissão, vereador Lair Bueno, o Tribunal de Contas identificou três irregularidades nos exercícios analisados. Duas delas foram corrigidas ainda durante a gestão, mas uma permaneceu sem solução.
“Existe uma irregularidade insanável numa abertura de crédito sem saldo financeiro superior a R$ 2,6 milhões. Diante dessa situação, entendemos pela rejeição das contas”, afirmou o parlamentar durante a análise do processo.
A defesa do ex-prefeito sustenta que a comissão desconsiderou o entendimento consolidado do TCE-MG e adotou interpretação equivocada sobre os fatos apontados no processo. Os advogados argumentam que a decisão técnica da Corte de Contas, acompanhada pelo Ministério Público de Contas, deveria ter sido observada pelo Legislativo.
Futuro político

Com a rejeição das contas pelo plenário da Câmara, o caso passa a ganhar relevância também no campo político. Especialistas em direito eleitoral destacam que a rejeição de contas por irregularidade considerada insanável pode ser utilizada como fundamento para eventual questionamento da elegibilidade do gestor, observadas as disposições da Lei da Ficha Limpa e a análise da Justiça Eleitoral.
Embora qualquer eventual inelegibilidade dependa de avaliação jurídica específica e de manifestação da Justiça Eleitoral, a decisão tomada pela Câmara nesta segunda-feira representa um dos fatos políticos mais relevantes dos últimos anos em Timóteo e pode influenciar diretamente os próximos cenários eleitorais do município.

Adianta nada, pode colocar um vira latas contra o capetao que eu voto no vira lata