quinta-feira, setembro 24, 2026
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Curso na Câmara de Ipatinga aborda uso de IA na fiscalização de contratos públicos

Capacitação realizada de 16 a 18 de setembro reuniu servidores para discutir aplicações da tecnologia e o papel da análise humana nas atividades administrativas

IPATINGA – A Câmara Municipal de Ipatinga realizou, de 16 a 18 de setembro, no plenário da Casa, o curso Fiscalização Inteligente de Contratos Públicos. Promovida pela Escola do Legislativo João Camilo de Oliveira Torres, em parceria com a Siga Treinamentos e Capacitação, a formação abordou o uso de ferramentas de inteligência artificial no trabalho dos servidores responsáveis pela fiscalização e em atividades de apoio.

A capacitação foi ministrada pelo advogado Breno Marques Martins, especialista em Direito Público e procurador-geral de um município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A convocação encaminhada pela administração da Câmara relacionou 54 servidores para a formação, com programação das 8h às 18h nos três dias.

Segundo o especialista, o curso teve como foco preparar os fiscais de contratos para utilizar ferramentas de IA disponíveis no mercado. O professor explicou que esses recursos podem auxiliar na execução de tarefas complexas, reduzir o tempo dedicado a determinadas atividades e contribuir para a precisão do trabalho, desde que utilizados adequadamente.

“A questão maior que a gente levanta é a seguinte: não é não usar, é saber usar”, afirmou. Para ele, a formação dos servidores é uma condição para incorporar a tecnologia à rotina administrativa. “A capacitação permite que a gente possa utilizar a ferramenta de forma segura.”

Nas entrevistas sobre o curso, os participantes também discutiram os limites da tecnologia e a necessidade de manter a atuação humana. Breno Martins rejeitou a ideia de que a adoção dessas ferramentas dispense os profissionais. “A IA não vem para substituir o servidor. Ela vem apenas para ser mais uma ferramenta para aquele dia a dia de trabalho dele”, disse.

A analista contábil da Câmara Mônica Jacob destacou que as atividades administrativas envolvem relações com pessoas e empresas, nas quais podem surgir situações que exigem avaliação além dos procedimentos padronizados.

“As atividades desempenhadas por nós são atividades que envolvem empresas, envolvem pessoas”, afirmou. Na avaliação da servidora, essa característica exige considerar os limites das respostas produzidas pela tecnologia. “Eu creio que a inteligência artificial não vai suprir todas as demandas que podem surgir através desses relacionamentos.”

O presidente da Escola do Legislativo, vereador Avelino Cruz, relacionou a formação ao trabalho de fiscalização exercido pela Câmara e à prestação de serviços à população. “Quando a gente busca esse tipo de capacitação, eles ficam qualificados para poder servir a comunidade da melhor forma possível”, declarou.

Segundo o vereador, a Câmara já havia oferecido outros treinamentos sobre inteligência artificial, mas esta edição concentrou a abordagem nos contratos públicos. A formação também incluiu servidores que colaboram com a área, embora não atuem diretamente na fiscalização.

“Já não é o primeiro treinamento dessa área que nós oferecemos aqui na Câmara, mas esse, de uma forma especial, foi mais voltado para contratos”, afirmou Avelino.

 

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