Procedimento inovador devolve qualidade de visão e autoestima a paciente do Hospital Márcio Cunha

IPATINGA – Um procedimento inovador realizado no Hospital Márcio Cunha está transformando a vida de uma paciente que convivia há anos com um grau severo de miopia. A técnica trouxe uma nova perspectiva para a visão e para a autoestima da paciente, que agora tem a expectativa de viver sem a dependência de óculos ou lentes de contato.
Para a cirurgia foi utilizada uma tecnologia recente no Brasil: o implante de uma lente intraocular, produzida no Brasil. O procedimento é indicado para pacientes com graus elevados, que não podem ser corrigidos por meio da cirurgia refrativa a laser e foi conduzido pelo oftalmologista do Hospital Márcio Cunha, Dr. Alberto Henrique.
A paciente, moradora de Santana do Paraíso, Wérica Araújo, de 32 anos, possuía 11 graus de miopia, uma condição que impõe limitações importantes no dia a dia. Óculos muito espessos, pesados e de alto custo fazem parte da rotina de quem convive com graus elevados. Em muitos casos, nem mesmo a cirurgia a laser é indicada, principalmente quando a córnea é mais fina ou apresenta alguma fragilidade estrutural.
Segundo o médico, nesses casos a lente intraocular surge como uma alternativa segura e eficaz para a correção visual. “A cirurgia a laser não é indicada para pacientes que têm graus muito altos e uma córnea mais fina. Existe uma limitação em relação ao laser, porque a córnea precisa ter uma espessura adequada para retirar aquela quantidade de grau que o paciente possui. Quando isso não é possível, essa lente passa a ser uma excelente indicação”, explica.
O procedimento consiste na introdução de uma lente especial dentro do olho, posicionada à frente do cristalino, que é a estrutura natural responsável pelo foco da visão. Diferente da cirurgia de catarata, em que o cristalino é removido, neste caso nenhuma estrutura do olho é retirada. “A gente faz uma pequena incisão no olho do paciente, preenche o olho com um gel e introduz essa lente na frente do cristalino. Ela fica apoiada em uma região chamada sulco ciliar e possui um desenho especial, com pequenos orifícios de drenagem que ajudam a evitar complicações. A paciente mantém toda a estrutura natural do olho e continua com a capacidade de enxergar de perto e de longe”, detalha o especialista.
Um dos diferenciais do procedimento realizado no Hospital é o uso de uma lente desenvolvida no Brasil. A tecnologia foi lançada recentemente no mercado nacional e surge como uma alternativa mais acessível em comparação às lentes importadas utilizadas anteriormente nesse tipo de cirurgia.
Antes da chegada dessa novidade, a principal opção disponível era uma lente suíça, utilizada há anos em diversos países, mas com custo elevado no Brasil. A produção nacional amplia o acesso ao tratamento e abre novas possibilidades para pacientes que antes não conseguiam realizar o procedimento. “O custo da lente importada era muito alto e muitas vezes inviabilizava a cirurgia. Com a introdução de uma lente nacional, o valor se torna mais acessível e mais pacientes poderão realizar esse procedimento e alcançar o sonho de ficar livres dos óculos”, destaca o oftalmologista.
A cirurgia é considerada rápida e segura, realizada com anestesia local e sedação. A recuperação costuma ser bastante satisfatória e os resultados aparecem rapidamente. “No primeiro dia de pós-operatório o paciente já costuma apresentar uma melhora muito significativa da visão, em torno de 80% a 90%. Em cerca de uma semana, a expectativa é que a visão esteja totalmente restaurada”, afirma o médico.
Para Wérica Araújo, o resultado da cirurgia representa uma mudança profunda na qualidade de vida e na confiança para realizar atividades cotidianas. “A questão da autoestima e da confiança mudou muito. Eu piloto e dirijo e tinha uma dificuldade muito grande para enxergar de longe. Agora eu posso enxergar tudo com clareza. Essa é a minha maior satisfação”, conta.
Ela lembra que os desafios com a visão começaram ainda na infância. “Eu descobri que tinha problema de vista quando tinha apenas cinco anos. Naquela época, quase nenhuma criança usava óculos e eu era a única na sala. As lentes eram muito grossas, as armações eram grandes e muito infantis. Existia também muito preconceito. Os óculos deixavam o olho pequeno e a estética não era boa. Hoje eu sinto que estou realizando um sonho”, relata.
As limitações também interferiam na rotina e na forma como ela se expressava. “Eu evitava usar maquiagem porque usava lente de contato. Qualquer coisa que entrasse na lente incomodava muito, porque o olho é muito sensível. Então eu praticamente não usava maquiagem nenhuma”, afirma.
Sobre a cirurgia, a paciente destaca a tranquilidade do procedimento e a rápida recuperação. “Eu fiquei surpresa com a recuperação, porque o olho é muito sensível e eu imaginei que poderia sentir dor ou algum incômodo maior. Mas foi totalmente indolor. Algumas horas depois eu já estava bem e no dia seguinte já pude tirar o tampão e continuar apenas com os óculos escuros”, explica.
A melhora da visão também aconteceu rapidamente. “Depois de três ou quatro dias, quando o médico retirou a lente de proteção do pós-operatório, eu percebi que já estava enxergando perfeitamente, muito melhor do que antes. Hoje minha visão está ótima, perfeita, consigo enxergar tudo com muita nitidez”, comemora.
Para o especialista, a introdução dessa nova lente no país também fortalece a capacidade de atendimento dos serviços de saúde. “Esse procedimento amplia o nosso arsenal de tratamento para pacientes com graus mais elevados. Com isso, conseguimos resolver casos mais desafiadores aqui mesmo no hospital, oferecendo uma solução segura e eficaz para quem antes tinha poucas alternativas”, conclui.
Hospital Márcio Cunha
Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias, mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.
