quinta-feira, outubro 15, 2026
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ELEIÇÕES 2026: “Mais de 42 milhões de eleitores não votaram em Flávio ou Lula no 1º turno”

Diferença entre os dois candidatos foi de 2,2 milhões de votos, enquanto mais de 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas e outros 9,3 milhões escolheram candidaturas que ficaram fora do segundo turno.

TIMÓTEO – A eleição para a Presidência da República será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro, entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado do primeiro turno mostra uma disputa numericamente estreita: Flávio recebeu 56.104.503 votos, enquanto Lula obteve 53.879.538. A diferença foi de 2.224.965 votos, equivalente a 1,87 ponto percentual dos votos válidos.

Embora Flávio tenha terminado o primeiro turno à frente, nenhum dos dois candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos. Por isso, a decisão foi transferida para uma nova votação, na qual os eleitores terão novamente a oportunidade de escolher entre os dois concorrentes.

Mais de 9,3 milhões votaram em outros candidatos

Um dos principais componentes da disputa do segundo turno está entre os eleitores que participaram do primeiro turno, mas escolheram candidaturas que não avançaram.

Somados, os outros dez candidatos à Presidência receberam 9.316.747 votos, correspondentes a 7,81% dos votos válidos. Entre eles estão Augusto Cury, com 3.448.569 votos; Renan Santos, com 2.675.887; e Ronaldo Caiado, com 2.605.148.

Esses votos representam um contingente eleitoral relevante para o segundo turno, mas não podem ser tratados automaticamente como votos que serão transferidos integralmente para um dos dois candidatos. Cada eleitor poderá manter sua preferência, mudar de escolha, votar em branco ou nulo ou, eventualmente, não comparecer.

Abstenção supera 33 milhões

Outro número que chama atenção é o de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Do eleitorado apto de 158.745.502 pessoas, 33.469.244 não votaram, o equivalente a 21,08%. Foi a maior taxa de abstenção registrada em um primeiro turno desde 1998, segundo os dados divulgados após a totalização.

Esse contingente, entretanto, também precisa ser analisado com cautela. Os 33,4 milhões de ausentes não constituem “votos em disputa”, mas um universo de eleitores que poderá ou não comparecer ao segundo turno.

Brancos e nulos também não entram na disputa pelos votos válidos

O primeiro turno registrou 2.300.798 votos em branco, equivalentes a 1,84%, e 3.674.249 votos nulos, correspondentes a 2,93%. Esses votos não são contabilizados como votos válidos para definir a votação dos candidatos.

Por isso, somar abstenções, brancos, nulos e votos destinados aos demais candidatos e chamar todo esse conjunto de “48 milhões de votos em disputa” pode induzir o leitor a uma interpretação equivocada.

O que os números mostram

O dado objetivo é que Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de 2.224.965 votos separa os dois candidatos.

Ao mesmo tempo, 9,3 milhões de eleitores votaram em outras candidaturas, enquanto mais de 33,4 milhões de eleitores aptos não compareceram. Há ainda os votos brancos e nulos registrados na primeira etapa.

O segundo turno, portanto, parte de uma nova votação e de uma nova contagem de votos válidos. Os números do primeiro turno são importantes para dimensionar a disputa, mas não permitem simplesmente somar os diferentes grupos e tratá-los como votos que serão transferidos para um dos candidatos.

A diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos dá a dimensão matemática da vantagem obtida por Flávio no primeiro turno, enquanto o comportamento dos eleitores que escolheram outras candidaturas e daqueles que não compareceram às urnas será um dos elementos observados até a votação de 25 de outubro.

 

 

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