Morte de mulher de promotor pode ter sido feminicídio. Laudo do IML cita violência física

REDAÇÃO – O laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre a morte de Lorenza Maria Silva Pinho, de 41 anos, aponta para indícios de violência física, segundo fontes ouvidas por O TEMPO. Ela é mulher do promotor de Justiça André Luis Garcia de Pinho.

Lorenza foi encontrada morta na sexta-feira (2). O marido alegou que ela teria se engasgado. Porém, familiares relataram que o casal vivia um relacionamento conturbado e logo suspeitaram do motivo do óbito. O corpo segue no IML de Belo Horizonte e não deve ser liberado para enterro antes de segunda-feira (5).

A Polícia Civil informou que acompanhava o caso. “Os exames de necropsia foram concluídos na madrugada deste sábado (3/4), no Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IML), acompanhados das autoridades competentes, e todos os elementos de investigação estão sendo compartilhados com o MPMG. Outras informações serão prestadas em momento oportuno”, informou a corporação, em nota.

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem do Jornal O TEMPO, André Pinho estava morando em um apartamento de dois quartos no bairro Carmo, com os cinco filhos, a esposa e duas babás. Ele estaria se escondendo de cobradores por enfrentar problemas financeiros.

Embora não confirme oficialmente, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um procedimento interno para averiguar o caso, já que promotores têm foro privilegiado.

Diante do desdobramento, a expectativa é que os filhos sejam entregues à família da mãe e que o pai não poderá ter contato com eles, pelo menos neste momento inicial das investigações.

Histórico contraditório

No fim de 2016, o promotor e a esposa chegaram a sofrer uma tentativa de atentado. Na época, Garcia atuava na Promotoria de Combate ao Crime Organizado. Câmeras de segurança revelaram que um homem efetuou pelo menos três disparos contra a fachada do edifício e a Lorenza chegou a relatar que não podia nem sair na rua por conta das constantes ameaças ao magistrado.

Desde 2010, o promotor sofreu tentativas de homicídio e ainda teve o carro incendiado há cerca de cinco anos. Por conta das ameaças, ele só saia de casa escoltado. Porém,  André Luiz Garcia também foi alvo de ação civil do próprio Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) entre os anos de 2014 e 2016 por suspeita de diversas irregularidades.

A principal delas seria a omissão das responsabilidades trazidas pelo cargo, já que o promotor teria faltado muito ao trabalho. “As datas faltosas perfazem o total de 195 dias, em que o requerido não compareceu à 11ª Promotoria de Justiça, tampouco se fez presente em qualquer ato oficial ou relacionado ao trabalho”, aponta trecho da ação, obtida pela reportagem de O TEMPO em 2018.

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