Vereadora toma posse na Câmara de Ipatinga em substituição a colega preso

IPATINGA – A suplente Rominalda Fátima Paula, assumiu uma cadeira no legislativo nesta sexta-feira (17), em reunião extraordinária marcada pela presidência da Casa. Rominalda ficará no lugar do vereador Masinho enquanto o parlamentar estiver afastado. Esta é a sexta mudança ocorrida após início da operação do Gaeco que apura repasse de dinheiro por assessores.

“Sou uma mulher simples e não pretendo mudar meu jeito de ser. Meu objetivo é trabalhar para o benefício da população de Ipatinga”, disse ela. Rominalda ocupa atualmente um cargo na Prefeitura Municipal de Ipatinga.

A posse foi prestigiada pelo líder do governo, vereador Sebastião Guedes, que destacou o fato de a Câmara Municipal, pela primeira vez, ter uma bancada composta por quatro mulheres.

A vereadora Lene Teixeira também salientou a importância da participação das mulheres no Legislativo ipatinguense e na política. “Basta olhar para o quadro de retratos de ex-vereadores para vermos que a mulher foi sub representada nesta Casa”, disse Lene. “Mesmo que sua presença, Rominalda, seja por apenas por um dia, mas que seja marcada pelo melhor”, pontuou Lene.

Entenda o caso

A operação Dolos é uma ação conjunta entre Ministério Público, Polícias Civil e Militar, através do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo as investigações, vereadores de Ipatinga contratavam assessores e exigiam deles parte do salário de volta.

De acordo com o MP, o esquema para arrecadar a verba acontecia de mais de uma maneira. A primeira delas no recebimento e entrega de valores em espécie ao representante do Legislativo por parte do funcionário contratado. A segunda modalidade era a retenção do cartão bancário, com o repasse de pequeno valor ao funcionário e manipulação na folha de ponto; muitos destes funcionários, segundo o Gaeco, eram “fantasmas”. A terceira, o vereador determinava a realização de empréstimos bancários por parte de servidores com o saque e transferência para contas de interpostas pessoas que eram usadas como laranjas visando maquiar o real destino dos valores.

De acordo com o Ministério Público, além do enriquecimento ilícito, o dinheiro exigido dos assessores servia para fortalecimento dos vereadores em bairros, visando as eleições municipais. Ao todo, 12 pessoas foram denunciadas na operação, entre vereadores, assessores, contadores, corretores de imóveis e comerciantes.

São investigados no esquema, segundo o Gaeco, os ex-vereadores Paulo Reis (PROS), Rogério Antônio Bento (sem partido), José Geraldo de Andrade (Avante), Luiz Márcio Rocha (PTC), Osimar Barbosa (PSC) e Wanderson Gandra (PSC), que perderam mandato ou renunciaram ao cargo na Câmara, além do vereador Gilmar Ferreira Lopes (PTC). Comissões processantes foram instauradas na Câmara Municipal para avaliar as condições dos vereadores investigados.

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