Aplicação de verba federal para pavimentação de morros em Bom Jesus do Galho gera impasse político

BOM JESUS DO GALHO – Uma obra de pavimentação prevista para dois trechos rurais do município tornou-se centro de debate político após denúncias de que a execução poderia não ocorrer, apesar da existência de recursos federais destinados ao projeto e da realização do processo licitatório.
A intervenção prevê a pavimentação dos trechos conhecidos como Morro do Geraldo Português e Morro do Alambique, localizados em estradas vicinais da zona rural. Segundo documentos obtidos pela reportagem, o investimento total previsto é de aproximadamente R$ 411 mil.
O recurso foi indicado pelo deputado federal Mário Heringer (PDT), por meio de emenda de comissão ao Orçamento Geral da União de 2025. Em ofício encaminhado ao prefeito Aníbal Borges, em agosto de 2025, o parlamentar informa que a indicação ocorreu a partir de solicitação do vereador Moisés Raspante e do ex-vereador Marquinhos Raspante. O documento registra a destinação de R$ 411.234 para apoio a projetos de desenvolvimento sustentável integrado no município.
A Prefeitura elaborou posteriormente os projetos técnicos, memorial descritivo, planilhas orçamentárias e estudos preliminares para a execução das obras. Os documentos apontam que a pavimentação foi planejada para melhorar a trafegabilidade, reduzir processos erosivos e garantir maior segurança aos moradores e produtores rurais que utilizam diariamente os dois acessos.
De acordo com o Estudo Técnico Preliminar, os trechos enfrentam problemas recorrentes durante os períodos chuvosos, quando lama e erosão dificultam a circulação de veículos e o acesso a serviços públicos. O documento também destaca impactos sobre o transporte escolar, o atendimento de saúde e o escoamento da produção agrícola.
Morro do Alambique
O projeto prevê a execução de 2.200 metros quadrados de pavimentação em blocos sextavados de concreto, instalação de meio-fio, sarjetas, sistema de drenagem e sinalização viária. As planilhas técnicas indicam extensão aproximada de 330 metros no Morro do Geraldo Português e 110 metros no Morro do Alambique.

O orçamento elaborado pela administração municipal estima custo total de R$ 401.526,27 para a execução dos serviços. A maior parcela dos recursos está concentrada na pavimentação propriamente dita, seguida pela instalação de meios-fios e obras de drenagem.
A controvérsia surgiu após participantes de uma reunião pública afirmarem que a obra poderia não ser executada, mesmo com a existência de recursos federais destinados ao projeto e após a conclusão do processo licitatório, que já definiu a empresa vencedora apta a executar os serviços.
O fato de o processo já ter avançado até a fase de definição da empresa responsável ampliou os questionamentos sobre os motivos que poderiam impedir o início dos trabalhos.
A informação gerou questionamentos entre moradores e lideranças locais sobre o futuro do investimento.
Até o momento, a reportagem não localizou manifestação oficial da Prefeitura de Bom Jesus do Galho sobre eventual suspensão ou desistência da execução da obra.
Procurados, os responsáveis pela articulação da emenda afirmam que os recursos foram conquistados após tratativas junto ao gabinete do deputado federal Mário Heringer e defendem que o investimento atende a uma demanda histórica da população rural.
A Prefeitura Municipal ainda não se posicionou sobre a execução da obra, a possibilidade de perda dos recursos federais ou os motivos que poderiam justificar eventual paralisação ou cancelamento do empreendimento.
EMENDA DA SAÚDE TAMBÉM É ALVO DE QUESTIONAMENTOS
Durante as discussões sobre o tema, o ex-vereador Marquinhos Raspante também mencionou uma emenda federal destinada à área da saúde que, segundo ele, teria deixado de ser recebida pelo município por falta de cadastramento da proposta.
Documentos encaminhados à reportagem mostram a existência de uma proposta do Fundo Nacional de Saúde no valor de R$ 401.234 destinada ao custeio da Atenção Primária à Saúde.
Entretanto, os documentos analisados não permitem concluir, por si só, se o recurso foi efetivamente perdido, recusado ou se houve apenas atraso ou pendência administrativa. A confirmação dessa situação depende de esclarecimentos oficiais por parte da Prefeitura Municipal e dos órgãos responsáveis pela gestão dos recursos federais.
A reportagem do JBN tentou contato com a Prefeitura Municipal de Bom Jesus do Galho, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos e manifestações sobre o assunto.
