sexta-feira, março 1, 2024
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Mulher obtém certidão de nascimento aos 52 anos

Aos 52 anos, Francisca de Oliveira conseguiu, pela primeira vez na vida, expedir sua certidão de nascimento e carteira de identidade. (Crédito: Divulgação TJMG)

REDAÇÃO – O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2021, foi sobre as pessoas chamadas de “invisíveis”, que não têm acesso à cidadania no Brasil por não terem o registro civil de nascimento. O debate tem se tornado comum e reflete a realidade de cerca de 3 milhões de pessoas no país, como a dona de casa Francisca Wanda de Oliveira, que, só aos 52 anos de idade, conseguiu obter a certidão de nascimento.

A mulher nasceu em Santa Maria de Suacuí, no Vale do Rio Doce, cresceu na roça, nunca se matriculou em uma escola e nem sequer teve acesso a benefícios sociais ou votou numa eleição. A falta de registro de nascimento impede que a pessoa tenha acesso a qualquer outro tipo de documentação, por isso ela é considerada invisível.

“Ela nunca trabalhou oficialmente e não conseguiu benefícios por causa da falta de documentos. Na roça, as pessoas não se preocupam muito com isso”, conta seu irmão José Caetano.

Com o passar do tempo, necessitou de cuidados especiais. No início da pandemia de covid-19, Francisca Oliveira teve que se vacinar. Foi ao posto de saúde na Vila Pinho, no Barreiro, região sudoeste de BH, e não foi imunizada devido à ausência da carteira de identidade. A assistente social do posto, Aline de Souza, e a agente comunitária Laura Aleixo tentaram resolver o problema e encaminharam o caso para o Cartório de Registro Civil e Notas do Barreiro.

 

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