Vereador Gualberto chama mulher vítima de agressão, de “mulher de malandro”. O Conselho da Mulher reagiu

TIMÓTEO – Durante a votação Projeto de Lei que destaca a proteção de mulheres vítimas da violência doméstica e dos seus filhos matriculados na rede municipal de ensino, em sessão extraordinária da Câmara de Timóteo, quarta-feira (7), o vereador Geraldo Gualberto (PSC) protagonizou uma tremenda falta de respeito com as mulheres brasileiras. Nesta quinta-feira (8), o Conselho Municipal da Mulher de Timóteo, reagiu publicando nota de repúdio.

Este é o vereador Geraldo Gualberto (PSC)

Além de votar contrário a proposta assinada pelo vereador Thiago Torres, Geraldo Gualberto (PSC) ainda deixou transparecer em sua fala, que a proposta do seu colega apresentava um viés de garantia de prioridade nas escolas somente para crianças filhas de mulheres agredidas. Em seguida, o vereador frisou que “mulher de bandido não pode ter mais prioridade que uma mulher amada pelo marido”. Gualberto ainda completou:  “Se nós votarmos aqui um projeto que a mulher amada tá tendo menos direito do que a mulher que apanha, ou seja, um trabalhador que cuida da sua família chega em casa, dá carinho para sua esposa. Aí o outro malandrão que corta ela no coro…aí ela tem mais direito do que a mulher amada. Quero revogar aqui o meu voto, sou contrário a essa matéria”, destacou o vereador.

Veja a nota de repúdio do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Timóteo

MANIFESTAÇÃO DE REPÚDIO AO VEREADOR GUALBERTO SOBRE LEI ALUSIVA AOS DIREITOS DA MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA

O CMDM-Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Timóteo, vem a público repudiar o posicionamento contrário do Vereador Gualberto que na data de 07/04/2021 votou contra o projeto de lei que pedia direitos educacionais aos filhos de mulheres vítimas de violência doméstica que necessitam de medidas protetivas para elas e seus filhos em idade escolar.

O infeliz argumento utilizado pelo vereador revelou seu total desconhecimento e desinformação sobre o contexto da violência contra as Mulheres, o que traduz total despreparo para legislar sobre a matéria.

Ficou claro que o mesmo não acompanhou lutas históricas sobre a proteção a Mulher no contexto da violência que estão acontecendo no Mundo, no Brasil e nem mesmo na caminhada do próprio Município, que desde 2019 instituiu o GT da Violência (Grupo de Trabalho), agregando diversos atores municipais que endossam este manifesto, atores importantes na construção do fluxo municipal de atendimento a mulher vítima de violência.

Várias ações aconteceram e ainda estão acontecendo a partir do GT para mudar esta realidade no município, sendo totalmente descartadas nas falas proferidas pelo Vereador, o que leva a ofensa grave a este Conselho e todas as lutas encampadas para alterar a realidade da violência e do tratamento de Mulheres e seus agressores.

Desconsiderou estatísticas municipais que registram o aumento da violência e a dificuldade de mulheres que são obrigadas a conviver com agressores principalmente em decorrência da pandemia e do isolamento social.

Desconsiderou o trabalho de órgãos ligados a saúde, assistência social e a segurança pública envolvidos diretamente no atendimento de mulheres vítimas de violência no município.

Não entendeu que a realidade da violência ultrapassa questões da pobreza e outras vulnerabilidades, chegando a todos os tipos de famílias e classes sociais.

Foi descabido os argumentos que retratam uma visão fragmentada, destorcida e preconceituosa, negligenciando leis importantes de garantia dos direitos das mulheres como é amplamente conhecida a lei Maria da Penha.

É surpreendente que existam legisladores que desconheçam que a realidade da violência contra as Mulheres é uma prioridade frente a uma sociedade sexista, muitas vezes machista e que pela via da força submete Mulheres a abusos físicos, psicológicos, morais e sexuais.

Queremos legisladores que façam o papel social de garantir direitos legítimos sem depreciar movimentos sociais, conselhos de direitos e políticas públicas, já organizadas para a defesa dos direitos das mulheres.

Queremos destacar que mudanças são necessárias e urgentes. Aproveitamos para lembrar que a representação feminina nos poderes é fundamental, evitando posicionamentos retrógrados e ineficientes para a sociedade.

Destacamos que o conselho se sentiu representado pela fala da Pastora Sônia, única vereadora da Câmara, Mulher, que conseguiu de forma clara nos representar e esclarecer os equívocos colocados sobre a matéria.

Destacamos também, um sentimento de orfandade, pela falta da Vereadora Conceição do Tadeu (falecida recentemente), que tinha como principal bandeira de luta a defesa dos direitos das Mulheres.

Por mais Mulheres no poder é o sentimento que fica para nós conselheiras.

Diante das exposições, solicitamos do Vereador Gualberto retratação pública, para que fique claro que distorções sobre os direitos das Mulheres não devem se repetir, sendo insustentáveis posicionamentos que desrespeitem lutas históricas e direitos já conquistados.

Solicitamos ainda, que seja dado ao CMDM direito a tribuna, para que seja realizado um debate sério, maduro e coerente sobre as conquistas já realizadas e sobre anseios propostos para políticas públicas para as Mulheres.

Assinam conjuntamente a este documento, seguimentos importantes, que apoiam a construção de Políticas Públicas para Mulheres, sendo:

  • CMDM – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Timóteo;
  • Interconselhos;
  • GT da Violência contra as Mulheres, composto por representação de órgãos públicos e privados.

Vera Lúcia Antunes Lopes Dutra – Presidente do CMDM

 

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