sábado, março 2, 2024
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Em tempos de isolamento social, equitação auxilia no tratamento de crianças e adolescentes

REDAÇÃO – Utilizar a equitação e a relação com os cavalos como método para aumentar a autonomia de crianças e adolescentes com deficiência. Esse é o objetivo comum de dois projetos que acontecem em duas localidades de Minas Gerais: o projeto Equitação – Um Esporte Equestre Para Crianças Com Deficiência, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), de Resplendor, e o projeto Esporte Equestre – Capacitar Para Fomentar, da organização Anjos que Montam, de Aimorés. Ambos foram selecionados e são apoiados pelo Edital Doce, da Fundação Renova.

Entre os benefícios da equitação como terapia em crianças e adolescentes com deficiência, destacam-se o desenvolvimento da coordenação motora, melhora do equilíbrio e, ao final do processo, uma maior autonomia da pessoa dentro da sua rotina e com a família. Essa utilização terapêutica dos cavalos é chamada de equoterapia.

Nesse período de isolamento social em função da pandemia do Covid-19, muitas crianças e adolescentes apresentaram regressões físicas, cognitivas e psicológicas. A equoterapia e a equitação terapêutica se tornaram ainda mais importantes para a vida dessas pessoas, já que grande parte das outras terapias, realizadas em ambiente fechado, teve que ser suspensa.

Por se tratar de um espaço aberto e de o atendimento ser feito a apenas um praticante por vez, e equoterapia foi mantida mesmo em tempos de pandemia. O espaço onde as sessões acontecem possibilita o contato das crianças e adolescentes com a natureza e se tornou uma oportunidade de socialização importante nesse período de reclusão.

O projeto Equitação: Um Esporte Equestre Para Crianças Com Deficiência é conduzido pela APAE de Resplendor e tem o objetivo de oferecer 80 aulas de equitação e equoterapia por mês, com duração de até 45 minutos cada, para até 20 crianças de 4 a 16 anos, a fim de promover a integração delas com os demais praticantes, com o cavalo e com a equipe multidisciplinar.

O valor repassado ao projeto foi destinado aos cuidados do animal e à contratação de três profissionais para trabalhar diretamente no atendimento com as crianças: um equitador, que é quem ajuda a conduzir o cavalo; um professor de Educação Física, com formação em equoterapia, para trabalhar as atividades com a criança; e um guia lateral para cuidar da segurança do praticante.

No projeto, somente quando a criança alcançar um grau de destreza, segurança e autonomia é que ela estará liberada para praticar a equitação. Ao se inscreverem, os participantes passam por avaliação com um fisioterapeuta e um psicólogo, que mapeiam as limitações de cada criança e quais são as atividades mais indicadas para cada caso.

Capacitação

Os três profissionais que atuam no atendimento às crianças em Resplendor, assim como o cavalo atualmente utilizado, foram capacitados e preparados pela equipe da organização Anjos que Montam, que também foi selecionada pelo Edital Doce com o projeto Esporte Equestre – Capacitar Para Fomentar.

O objetivo do projeto é capacitar profissionais para a execução das atividades relacionadas à equoterapia e à equitação, para atendimento de até 35 crianças e adolescentes do município.

A instituição Anjos que Montam é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) e trabalha com esse tipo de terapia desde 2019. Atualmente, o projeto apoiado pelo Edital Doce atende 30 crianças e adolescentes de 4 a 16 anos em Aimorés, além dos 20 em Resplendor.

Os três cursos de capacitação oferecidos pela Anjos que Montam são: Habilitação em Equoterapia, Treinamento e Condução do Cavalo de Equoterapia e Equitação Acadêmica para Equitação Terapêutica.

Até o momento, cinco profissionais se capacitaram pela Anjos que Montam graças ao Edital Doce. Três deles são os que atendem na APAE, em Resplendor, e dois estão em Aimorés. São veterinários, educadores físicos, fisioterapeutas e psicólogos.

Em função da pandemia de Covid-19, a segurança sanitária para o atendimento do público beneficiado é uma rotina nesses projetos. As atividades são presenciais, mas acontecem com todos os protocolos de segurança. Os envolvidos usam máscaras e têm uniformes e equipamentos higienizados constantemente.

Edital Doce

O Edital Doce, uma iniciativa criada pela Fundação Renova para fomentar e apoiar projetos de cultura, turismo, esporte e lazer nas regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais e no Espírito Santo, vai destinar cerca de R$ 12,5 milhões para 228 projetos nos dois estados.

Sobre a Fundação Renova

A Fundação Renova é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, constituída com o exclusivo propósito de gerir e executar os programas e ações de reparação e compensação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

A Fundação foi instituída por meio de um Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado entre Samarco, suas acionistas Vale e BHP, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de uma série de autarquias, fundações e institutos (como Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Instituto Estadual de Florestas, Funai, Secretarias de Meio Ambiente, dentre outros), em março de 2016.

 

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