Falta de decoro do vereador Gualberto gerou protesto na porta da Câmara Municipal de Timóteo

Fotos PCReis/JBN

TIMÓTEO – O Conselho Municipal da Mulher de Timóteo vem reagindo desde a última semana ao pronunciamento do vereador Geraldo Gualberto (PSC) da Câmara de Timóteo. O parlamentar Timotense afirmou durante a discussão e votação de um projeto de lei de proteção da mulher vítima da violência doméstica, que “mulher de bandido não pode ter mais prioridade que uma mulher amada pelo marido”.

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Nesta segunda-feira (12) integrantes do Conselho da Mulher foram  manifestar na porta da Câmara Municipal. Com faixas e cartazes, as mulheres pediram respeito. O Conselho considerou infeliz o argumento utilizado pelo vereador, oportunidade em que  revelou o seu total desconhecimento e desinformação sobre o contexto da violência contra as Mulheres, o que traduz total despreparo para legislar sobre a matéria.

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Na nota de repúdio divulgada pelo Conselho da Mulher na última semana, a entidade declarou que diante do comentário infeliz do vereador, “ficou claro que o mesmo não acompanhou lutas históricas sobre a proteção a Mulher no contexto da violência que estão acontecendo no Mundo, no Brasil e nem mesmo na caminhada do próprio Município, que desde 2019 instituiu o GT da Violência (Grupo de Trabalho), agregando diversos atores municipais que endossam este manifesto, atores importantes na construção do fluxo municipal de atendimento a mulher vítima de violência”.

NOTA DE REPÚDIO DO CONSELHO DA MULHER

O CMDM-Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Timóteo, vem a público repudiar o posicionamento contrário do Vereador Gualberto que na data de 07/04/2021 votou contra o projeto de lei que pedia direitos educacionais aos filhos de mulheres vítimas de violência doméstica que necessitam de medidas protetivas para elas e seus filhos em idade escolar.

O infeliz argumento utilizado pelo vereador revelou seu total desconhecimento e desinformação sobre o contexto da violência contra as Mulheres, o que traduz total despreparo para legislar sobre a matéria.

Ficou claro que o mesmo não acompanhou lutas históricas sobre a proteção a Mulher no contexto da violência que estão acontecendo no Mundo, no Brasil e nem mesmo na caminhada do próprio Município, que desde 2019 instituiu o GT da Violência (Grupo de Trabalho), agregando diversos atores municipais que endossam este manifesto, atores importantes na construção do fluxo municipal de atendimento a mulher vítima de violência.

Várias ações aconteceram e ainda estão acontecendo a partir do GT para mudar esta realidade no município, sendo totalmente descartadas nas falas proferidas pelo Vereador, o que leva a ofensa grave a este Conselho e todas as lutas encampadas para alterar a realidade da violência e do tratamento de Mulheres e seus agressores.

Desconsiderou estatísticas municipais que registram o aumento da violência e a dificuldade de mulheres que são obrigadas a conviver com agressores principalmente em decorrência da pandemia e do isolamento social.

Desconsiderou o trabalho de órgãos ligados a saúde, assistência social e a segurança pública envolvidos diretamente no atendimento de mulheres vítimas de violência no município.

Não entendeu que a realidade da violência ultrapassa questões da pobreza e outras vulnerabilidades, chegando a todos os tipos de famílias e classes sociais.

Foi descabido os argumentos que retratam uma visão fragmentada, destorcida e preconceituosa, negligenciando leis importantes de garantia dos direitos das mulheres como é amplamente conhecida a lei Maria da Penha.

É surpreendente que existam legisladores que desconheçam que a realidade da violência contra as Mulheres é uma prioridade frente a uma sociedade sexista, muitas vezes machista e que pela via da força submete Mulheres a abusos físicos, psicológicos, morais e sexuais.

Queremos legisladores que façam o papel social de garantir direitos legítimos sem depreciar movimentos sociais, conselhos de direitos e políticas públicas, já organizadas para a defesa dos direitos das mulheres.

Queremos destacar que mudanças são necessárias e urgentes. Aproveitamos para lembrar que a representação feminina nos poderes é fundamental, evitando posicionamentos retrógrados e ineficientes para a sociedade.

Destacamos que o conselho se sentiu representado pela fala da Pastora Sônia, única vereadora da Câmara, Mulher, que conseguiu de forma clara nos representar e esclarecer os equívocos colocados sobre a matéria.

Destacamos também, um sentimento de orfandade, pela falta da Vereadora Conceição do Tadeu (falecida recentemente), que tinha como principal bandeira de luta a defesa dos direitos das Mulheres.

Por mais Mulheres no poder é o sentimento que fica para nós conselheiras.

Diante das exposições, solicitamos do Vereador Gualberto retratação pública, para que fique claro que distorções sobre os direitos das Mulheres não devem se repetir, sendo insustentáveis posicionamentos que desrespeitem lutas históricas e direitos já conquistados.

Solicitamos ainda, que seja dado ao CMDM direito a tribuna, para que seja realizado um debate sério, maduro e coerente sobre as conquistas já realizadas e sobre anseios propostos para políticas públicas para as Mulheres.

Assinam conjuntamente a este documento, seguimentos importantes, que apoiam a construção de Políticas Públicas para Mulheres, sendo:

  • CMDM – Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Timóteo;
  • Interconselhos;
  • GT da Violência contra as Mulheres, composto por representação de órgãos públicos e privados.

Vera Lúcia Antunes Lopes Dutra – Presidente do CMDM

 

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