Com o fim do programa “Mais Médicos”, Fabriciano poderá perder 17 profissionais

FABRICIANO – Com o anúncio do fim da parceria de Cuba com o Mais Médicos, a previsão é que os médicos cubanos que atuam no programa federal comecem a deixar o país já no dia 25 deste mês. A saída deve ser gradual, separada por regiões.

Atualmente, dos 16.150 médicos que atuam no Mais Médicos, 8.332 são cubanos. A previsão é que todos eles deixem o Brasil em até 40 dias e contar a partir da última quinta-feira (15). Neste caso, a data final seria 25 de dezembro.

Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde de Cuba, a decisão é atribuída a questionamentos feitos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), à qualificação dos médicos cubanos e ao seu projeto de modificar o acordo, exigindo revalidação de diplomas no Brasil e contratação individual.

“Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, afirmou Bolsonaro, através de sua conta no Twitter, depois da decisão anunciada pelo governo cubano.

O rompimento do convênio, que já dura desde 2013, no entanto, preocupa municípios, que temem que a saída gere desassistência.

NO VALE DO AÇO

No Vale do Aço, a prefeitura de Fabriciano conta com 17 profissionais nas Unidades de Saúde, já estuda alternativa para substituir os médicos cubanos sem prejudicar o atendimento à população. Em Ipatinga, o número de médicos não foi confirmado.

Em Timóteo, a Secretaria de Saúde, conforme informou o Secretário de Saúde, Eduardo Morais, possui apenas duas médicas que prestam serviços no distrito de Cachoeira do Vale. O Secretário ainda afirmou que a prefeitura de Timóteo também prepara uma estratégia para substituir às profissionais caso a parceria entre os governos cubanos e brasileiro seja rompida.

Em nota, a Prefeitura de Fabriciano confirmou que possui 17 médicos cubanos vinculados ao programa Mais Médicos e que até o momento, a prefeitura não pode se manifestar a respeito da decisão do governo cubano de encerrar a parceria com o governo brasileiro, uma vez que o presidente eleito Jair Bolsonaro ainda não tomou posse e que caberá ao novo governo a solução do problema.

Na mesma nota, a administração municipal fabricianense se diz solidária aos profissionais cubanos e reconhece inadequado o contrato deles com o governo brasileiro aos quais são submetidas condições de trabalho desumanas e não condizentes com a formação e a capacitação destes profissionais. “A prefeitura entende que, caso os médicos cubanos optem por deixar o Brasil, haverá necessidade de substituição imediata a fim de garantir a atenção básica à população”.

PREOCUPAÇÃO DA CNM

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, afirmou nesta segunda-feira que os prefeitos das cidades com menos de 20 mil habitantes estão preocupados com a saída dos 8,5 mil profissionais cubanos que atuam no programa Mais Médicos. Por meio de nota, a entidade alerta que é preciso substituí-los sob o risco de mais de 28 milhões de pessoas ficarem desassistidas.

“A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública, e exige superação em curto prazo”, diz a nota. “Acreditamos que o governo federal e o de transição encontrarão as condições adequadas para a manutenção do programa”, disse o presidente.

Na nota, a CNM apelou para a ampliação do programa para municípios e regiões que “ainda apresentam a ausência e a dificuldade de fixação do profissional médico”. Segundo a entidade, um estudo apontou que o gasto com o setor de saúde sofreu uma defasagem de 42% na última década, o que sobrecarregou os cofres municipais.

CONSELHO DE MEDICINA

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também se manifestou sobre a questão. Em comunicado, a entidade assegurou que existem profissionais brasileiros em número suficiente para substituírem os cubanos.

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