Alerta nas cidades: arborização sem planejamento aumenta risco de quedas de árvores, acidentes e falta de energia

Arborização sem manejo adequado pode provocar quedas de árvores, danos a veículos, interrupção de energia e acidentes
TIMÓTEO – O Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro, também chama a atenção para um problema cada vez mais presente nas cidades brasileiras: os riscos provocados pela arborização urbana durante períodos de chuvas intensas, ventos fortes e tempestades.
Árvores que caem sobre ruas, veículos e redes elétricas, além de interromper o trânsito e o fornecimento de energia, podem representar risco à população. Entretanto, especialistas alertam que, na maioria dos casos, o problema não está na árvore, mas na ausência de planejamento, manejo e infraestrutura adequados.
O engenheiro agrônomo Marcelo Ferraz, especialista em arborização urbana e professor do Departamento de Agronomia e Recursos Naturais da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira (FCAVR), defende que as cidades precisam tratar a arborização como uma questão de planejamento urbano e também de segurança.
Segundo ele, a compactação do solo, o pequeno espaço destinado às raízes, a escolha inadequada de espécies e a falta de manutenção estão entre os principais fatores que favorecem o tombamento de árvores.
Outro problema começa ainda na produção das mudas. Plantas mal selecionadas ou mantidas por muito tempo em recipientes pequenos podem desenvolver raízes enoveladas, comprometendo sua fixação no solo depois do plantio.
Árvores e rede elétrica exigem planejamento
A convivência entre árvores e infraestrutura urbana também é um dos principais desafios. A existência de fiação elétrica aérea, postes, calçadas, tubulações e outros equipamentos pode provocar conflitos com o crescimento das árvores.
Para o especialista, é necessário modernizar a infraestrutura das cidades, utilizando redes elétricas protegidas e, em determinados locais, avaliando o enterramento da fiação. Dessa forma, reduz-se a necessidade de podas agressivas e também o risco de interrupções e acidentes durante temporais.
Ferraz ressalta que a árvore não deve ser tratada como a responsável pelos problemas. O planejamento urbano é que deve considerar o crescimento da vegetação e criar condições para que ela se desenvolva com segurança.
Falta de manutenção aumenta o risco

O plantio, por si só, não garante uma arborização segura. As árvores precisam de acompanhamento permanente, incluindo podas de condução, avaliação das condições do solo, controle de pragas e doenças e identificação de estruturas que possam apresentar risco de queda.
A ausência desse acompanhamento pode fazer com que problemas estruturais sejam identificados somente quando ocorre um temporal.
Outro ponto destacado pelo especialista é a necessidade de profissionais qualificados. Agrônomos, engenheiros florestais, biólogos, arboristas, paisagistas e arquitetos precisam atuar de forma integrada na definição das espécies, no plantio e na manutenção das árvores.
Escolha da espécie é fundamental
Nem toda árvore é adequada para qualquer cidade ou local. A escolha deve considerar as características do solo, do clima, do espaço disponível, da rede elétrica e das demais estruturas urbanas.
A utilização de espécies nativas e adaptadas às características regionais também contribui para uma arborização mais equilibrada e para a preservação da fauna.
Cidades precisam se preparar
Com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos climáticos extremos, o planejamento da arborização urbana deixou de ser apenas uma questão paisagística. Trata-se também de prevenção de acidentes, proteção da infraestrutura e qualidade de vida.
O desafio das prefeituras é conciliar a chamada infraestrutura cinza — ruas, calçadas, redes elétricas, galerias e demais equipamentos — com a infraestrutura verde, formada por árvores, parques, praças, jardins e áreas permeáveis.
Uma arborização bem planejada ajuda a reduzir o calor, melhorar a qualidade do ar, aumentar o conforto térmico e contribuir para a drenagem das águas das chuvas. Mas, quando implantada sem critérios e sem manutenção, pode transformar-se em fator de risco.
Por isso, especialistas defendem que os municípios tenham planos de arborização urbana, equipes técnicas qualificadas e políticas permanentes de manejo. Afinal, uma árvore pode levar anos para crescer, mas poucos minutos de uma tempestade são suficientes para revelar as consequências de décadas de falta de planejamento.
Fonte: Jornal da UNESP
