quinta-feira, maio 7, 2026
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Demissões no Samu podem comprometer tempo de atendimentos

REDAÇÃO – A recente demissão de 33 técnicos de enfermagem no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Belo Horizonte pode comprometer a assistência à população do município. O alerta ocorreu em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (5/5/26). O debate foi solicitado pela deputada Bella Gonçalves (PT), que preside o colegiado.

Com a reconfiguração do serviço pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o Samu passa a contar com 677 profissionais distribuídos em 28 ambulâncias, sendo 22 Unidades de Suporte Básico (USB) e 6 Unidades de Suporte Avançado (USA). Das 22 USBs, 13 delas passam a atuar com um técnico de enfermagem por plantão e as outras nove permanecem com dois técnicos.

Para os profissionais do Samu, a redução trará impactos no tempo-resposta dos atendimentos de urgência e na qualidade do serviço prestado. O tempo de resposta é mensurado a partir do envio da ambulância até a chegada ao local do chamado para prestar socorro, a vítimas de um acidente de trânsito, por exemplo.

Núbia Roberta Dias, integrante do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde, afirmou que a demissão dos técnicos pode provocar um aumento no tempo de resposta das ocorrências. Ela lembrou que a assistência pré-hospitalar é determinante para sobrevivência dos usuários assim como para evitar sequelas mais graves em casos como atropelamentos ou pessoas acometidas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“E isso para quê? Para ter uma economia de R$ 128 mil por mês?”, questiona a representante sindical. Bella Gonçalves acrescenta que esse montante ao longo de um ano seria de aproximadamente R$ 1,5 milhão; um custo menor ao do catamarã “Capivarã”, embarcação disponibilizada pela PBH na Lagoa da Pampulha para realizar passeios.

Também Érika de Oliveira Santos, membro do Conselho Estadual de Saúde, lamenta a decisão da prefeitura, que estaria “atravessada por uma inversão de valores”. Segundo ela, o parâmetro para empenhar ambulâncias deve ser o tempo de resposta necessário ao atendimento. A conselheira ressalta que, em situações como a assistência a um usuário obeso, a presença de um só técnico de enfermagem não seria suficiente.

Já Bruno Maia de Resende, gerente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência da Secretaria Municipal de Saúde, afirma que a nova configuração das equipes tem amparo técnico em portaria do Ministério da Saúde, que prevê a presença de um só técnico de enfermagem nas unidades.

Contudo, o gestor reconhece a necessidade de que o marco técnico seja atualizado. Ele também diz estar ciente sobre a limitação da composição do serviço em casos como o citado pela conselheira Érika Santos: “Precisaremos acionar, por vezes, mais unidades ou até mesmo o Corpo de Bombeiros”.

Hoje, o tempo médio para o atendimento de urgência é de 18 a 22 minutos, informa Bruno Resende. Ele esclarece que será realizado monitoramento contínuo para avaliar se a atual conformação das equipes afetará a prestação dos serviços.

A diretora de Atenção às Urgências e Emergências da Secretaria Municipal de Saúde, Renata Mourão Alves, assegurou que não haverá restrição nos atendimentos devido à atual composição da assistência. Ela acrescentou que os processos já estão sendo mapeados e que, conforme os resultados dessa análise, outras medidas podem ser implementadas.

 

 

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