Rodovias do abandono: risco diário na LMG-760 e descaso na LMG-425

OPINIÃO – Quem trafega diariamente pelas rodovias do Leste de Minas sabe que o risco virou rotina. Um dos exemplos mais preocupantes é o grande número de animais soltos às margens da LMG-760, importante ligação entre o Vale do Aço e a Zona da Mata. A presença constante de bovinos e equinos próximos à pista não é apenas um detalhe incômodo — é um perigo real. Cada curva mal iluminada e cada trecho de visibilidade reduzida se transformam em potenciais cenários de tragédia anunciada.
A situação revela mais do que descuido pontual: expõe a fragilidade da fiscalização e a ausência de ações preventivas eficazes. Em uma rodovia estratégica para o deslocamento de trabalhadores, estudantes e para o escoamento da produção regional, conviver com esse tipo de ameaça é inaceitável.
Se na LMG-760 o problema está às margens da pista, na LMG-425 o drama está no próprio asfalto. Principal ligação entre Timóteo e o Distrito de Cava Grande, pertencente a Marliéria, a rodovia enfrenta um cenário de degradação que compromete segurança, mobilidade e desenvolvimento. Buracos, desníveis, falhas na drenagem e sinalização precária fazem parte do cotidiano de quem depende do trecho.

Em períodos de chuva, a situação se agrava. A pista danificada aumenta o risco de acidentes e eleva os custos para motoristas, que arcam com prejuízos mecânicos frequentes. O transporte escolar, os atendimentos de saúde e o deslocamento de trabalhadores tornam-se mais lentos e inseguros. Não se trata apenas de desconforto: trata-se de dignidade e direito básico de ir e vir.
A frustração da população se intensificou com o cancelamento da licitação que previa melhorias no pavimento da LMG-425. A expectativa de recuperação da estrada representava esperança de dias melhores para moradores e produtores da região. Com a suspensão do processo, o sentimento é de abandono e descaso. A ausência de prazos ou explicações claras apenas reforça a percepção de que a infraestrutura do interior não é prioridade.
Investir em rodovias não é luxo — é necessidade. Estradas seguras impulsionam a economia, reduzem acidentes, salvam vidas e promovem integração regional. O Vale do Aço e a Zona da Mata não podem permanecer reféns de promessas interrompidas e manutenção insuficiente.
É preciso que o poder público trate a situação com a urgência que ela exige. Fiscalização rigorosa para coibir animais soltos, retomada imediata do processo de melhoria da LMG-425 e planejamento consistente de manutenção viária são medidas mínimas esperadas. A população já faz sua parte ao trabalhar, produzir e movimentar a economia regional. Agora, cabe ao Estado garantir condições seguras e adequadas de mobilidade.
O risco é conhecido. O problema é visível. Falta, sobretudo, ação.
