PRONTO, FALEI! Timóteo e o silêncio da política habitacional

EDITORIAL – Enquanto cidades vizinhas como Coronel Fabriciano e Ipatinga avançam ano após ano com projetos de moradia popular vinculados ao programa Minha Casa Minha Vida, a realidade de Timóteo permanece marcada por uma longa estagnação habitacional.
A questão da moradia deixou de ser apenas um problema social. Hoje, ela representa também um indicador da capacidade de planejamento urbano, de articulação política e de compromisso administrativo de uma cidade com o seu futuro. E, nesse aspecto, Timóteo acumula décadas de atraso.
O último grande momento em que a população viu uma política habitacional concreta ganhar força no município remonta às administrações do ex-prefeitos Leonardo Rodrigues Lelé da Cunha e Geraldo Nascimento de Oliveira. A partir de então, diferentes governos passaram pela Prefeitura prometendo projetos, anunciando intenções e levantando expectativas, mas nenhum conseguiu efetivamente trazer para Timóteo um programa robusto de moradias populares capaz de atender à crescente demanda da população.
Enquanto isso, famílias continuam enfrentando aluguel caro, ocupações irregulares, dificuldades de financiamento e o sonho da casa própria cada vez mais distante. Jovens casais deixam a cidade em busca de oportunidades habitacionais em municípios vizinhos. Trabalhadores convivem com a insegurança de não possuir um imóvel próprio. E a cidade perde não apenas moradores, mas também desenvolvimento econômico e dignidade social.
O contraste regional é evidente. Coronel Fabriciano e Ipatinga compreenderam que habitação popular não é gasto: é investimento. Investimento em qualidade de vida, em geração de empregos na construção civil, em valorização urbana e em estabilidade social. A adesão contínua a programas federais demonstra capacidade de articulação política e planejamento técnico — algo que Timóteo, infelizmente, não conseguiu manter nas últimas décadas.
É importante reconhecer que a política habitacional depende de diversos fatores: disponibilidade de terrenos, regularização fundiária, projetos técnicos e parcerias entre município, Estado e União. Mas também é verdade que, quando existe prioridade política, os projetos acontecem. Os exemplos das cidades vizinhas provam isso.
Diante desse cenário, a esperança da população para desatar o nó desse imbróglio que há anos impede a aprovação e implantação de um plano habitacional em Timóteo está depositada na atual administração municipal, liderada pelo prefeito Capitão Vitor Vicente do Prado. A expectativa popular é de que a gestão consiga construir pontes junto aos governos estadual e federal, destravar entraves burocráticos e finalmente recolocar a habitação popular como prioridade efetiva do município.
Timóteo não pode continuar assistindo ao desenvolvimento regional da janela, enquanto o déficit habitacional cresce silenciosamente. Moradia digna é direito constitucional, não promessa de campanha. E a população já esperou tempo demais. Pronto, Falei!
