quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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Dia Mundial do Câncer alerta para aumento de casos entre jovens e reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce

IPATINGA – O Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, reforça um alerta cada vez mais presente entre especialistas: a doença, historicamente associada ao envelhecimento, vem apresentando mudanças no seu perfil e atingindo pessoas mais jovens. Considerado um dos principais desafios de saúde pública, o câncer segue entre as maiores causas de mortalidade no Brasil e no mundo, o que evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgadas nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro, em evento com a presença do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, sendo destes estimados 518 mil casos, excluídos o câncer de pele não melanoma. Entre os tipos mais incidentes estão os cânceres de pele não melanoma; mama feminina; próstata; colón e reto; traqueia, brônquio e pulmão; e estômago. No estado de Minas Gerais, segundo as estimativas do INCA, os principais tipos de câncer são os de próstata, mama feminina, pulmão e, colón e reto.

Outro dado que preocupa os especialistas é o crescimento dos diagnósticos em adultos com menos de 50 anos, realidade que vem sendo observada nas últimas décadas.

Segundo o médico oncologista clínico e responsável técnico da Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Luciano Viana, as mudanças no estilo de vida têm forte influência nesse novo cenário. “O recado é a gente se cuidar. Tanto a prevenção primária, evitando os fatores de risco, quanto a prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce, são fundamentais. Ser jovem e manter hábitos saudáveis fortalece a saúde e reduz as chances de enfrentar a doença. Hoje temos uma estrutura que permite oferecer ao paciente, mesmo diante de diagnósticos agressivos, a possibilidade de vencer o câncer, mas é essencial não deixar para adotar esses cuidados apenas mais tarde”, ressalta.

O especialista explica que o aumento dos casos entre pessoas mais jovens está diretamente relacionado ao sedentarismo, ao excesso de peso, à obesidade e, principalmente, aos hábitos alimentares. “A alimentação rica em produtos ultraprocessados, com excesso de açúcar e substâncias químicas, tem contribuído muito para esse aumento. Além disso, observamos também a facilidade no acesso ao uso de hormônios e anabolizantes, muitas vezes sem indicação médica, o que pode trazer consequências importantes para o organismo, inclusive o desenvolvimento de tumores, especialmente os relacionados ao fígado”, destaca.

Nos últimos anos, tumores como os de mama, intestino e fígado têm apresentado crescimento na população jovem. “O câncer que vem aumentando nesse grupo é o mesmo que ocorre em pessoas mais velhas, só que está surgindo mais cedo. O câncer de intestino, por exemplo, é um dos que mais tem apresentado mudança no perfil epidemiológico e, inclusive, levou à revisão das orientações para exames de rastreamento”, explica o oncologista.

Mesmo sendo uma doença que pode se desenvolver de forma silenciosa, alguns sinais precisam ser observados com atenção. De acordo com o médico do Hospital Márcio Cunha, o surgimento de nódulos, alterações no funcionamento intestinal, emagrecimento sem causa aparente, tosse persistente ou qualquer sintoma que se mantenha por um período prolongado devem ser investigados. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura. Por isso, é fundamental que as pessoas valorizem os sinais do próprio corpo e busquem avaliação médica quando perceberem algo diferente”, orienta o médico oncologista.

O acompanhamento preventivo, aliado a hábitos saudáveis, é apontado como uma das principais estratégias para reduzir a incidência da doença. Exames como o preventivo do colo do útero, a mamografia, geralmente indicada a partir dos 40 anos, e a colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes, recomendada a partir dos 45 anos, fazem parte das medidas que contribuem para o diagnóstico precoce. A vacinação contra o HPV também é considerada uma importante aliada na prevenção de diversos tipos de câncer. “Salvamos vidas quando somamos a mudança de hábitos ao diagnóstico precoce. Evitar o tabagismo, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, praticar atividade física regularmente e manter o peso adequado são atitudes que fazem diferença. Também é importante lembrar dos cuidados com a exposição solar, com o uso de protetor e evitar horários de maior intensidade dos raios ultravioleta”, reforça o especialista.

A história da técnica de segurança do trabalho Larissa Silva Carneiro de Lima, moradora de Ipatinga, mostra que o câncer não escolhe idade. Ela descobriu um câncer de mama aos 23 anos, durante o período em que amamentava sua filha. “A minha maior motivação foram minhas filhas. Receber o diagnóstico foi muito difícil, mas a minha força veio delas. A única coisa que eu pensava era na cura, para poder cuidar delas. Graças a Deus, deu tudo certo”, conta.

Hoje, aos 28 anos, Larissa segue em acompanhamento médico na Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha e faz questão de compartilhar sua experiência como forma de conscientizar outras pessoas. “O câncer não tem cara e não tem idade. Está cada vez mais comum em pessoas jovens. Por isso, é fundamental se cuidar, praticar atividade física, manter uma alimentação saudável e realizar os exames de rotina”, reforça a paciente.

O Dia Mundial do Câncer reforça que informação, prevenção e diagnóstico precoce são aliados essenciais na luta contra a doença. Com os avanços da medicina, as chances de cura aumentam significativamente quando o câncer é identificado nas fases iniciais, reforçando a importância do autocuidado e da adoção de hábitos saudáveis ao longo de toda a vida.

Hospital Márcio Cunha

Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.200 partos realizados no HMC, cerca de 36 mil internações, mais de 18 mil cirurgias, mais de 60 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais e 27º melhor do país.

 

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