DANIEL DO BEM NO DEDO DE PROSA DO JBN: “A LUTA DAS FAMÍLIAS ATÍPICAS PRECISA CHEGAR À ASSEMBLEIA DE MINAS”

Vereador de Ipatinga e candidato a deputado estadual fala sobre os desafios enfrentados pelas famílias atípicas, cobra regularidade nos repasses às entidades e defende políticas públicas permanentes para pessoas com autismo em todo o Vale do Aço.
TIMÓTEO – A redação do JBN recebeu, no espaço Dedo de Prosa, o vereador de Ipatinga e candidato a deputado estadual Daniel do Bem, em uma conversa descontraída, mas marcada por revelações e posicionamentos firmes sobre um tema que ganhou espaço definitivo na agenda pública do Vale do Aço: os direitos das famílias atípicas.
Psicólogo e pai de uma pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Daniel do Bem transformou a própria experiência familiar em motivação para a atuação política. Segundo vereador mais votado de Ipatinga, ele vem se destacando como uma das principais vozes na defesa das pessoas com autismo e de suas famílias no município e, cada vez mais, em toda a Região Metropolitana do Vale do Aço.
Durante o bate-papo com o JBN, Daniel falou sobre os avanços, mas também expôs problemas que ainda desafiam as famílias que dependem da rede pública e das entidades especializadas. Entre os principais pontos abordados estão os atrasos nos repasses da Prefeitura de Ipatinga às entidades conveniadas, a paralisação de projetos, a falta de medicamentos e o modelo de atendimento oferecido às crianças com TEA.
Para o vereador, a questão precisa deixar de ser tratada como uma pauta restrita a determinados grupos. A realidade do autismo, segundo ele, já está presente em escolas, empresas, serviços públicos e em praticamente todos os espaços da sociedade.
Daniel destacou que os números apontam para uma presença cada vez maior de pessoas autistas e, por isso, defendeu que a ciência, a informação e as políticas públicas precisam caminhar lado a lado. Na avaliação do parlamentar, compreender o universo do autismo deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade urgente.

Uma bandeira que ultrapassou os limites de Ipatinga
Ao longo de sua trajetória política, Daniel do Bem assumiu uma posição de protagonismo na defesa das chamadas famílias atípicas. A atuação começou fortemente vinculada à realidade de Ipatinga, mas ganhou dimensão regional diante da necessidade de ampliar a discussão e garantir atendimento digno às pessoas com TEA.
É justamente nesse contexto que ele apresenta sua candidatura a deputado estadual como um passo importante para levar a pauta à esfera estadual.
A avaliação defendida por Daniel é que muitas das dificuldades enfrentadas atualmente pelas famílias não podem ser solucionadas apenas no âmbito municipal. É necessário construir políticas públicas permanentes, ampliar investimentos, fortalecer a rede de atendimento e fazer com que os direitos previstos em lei sejam efetivamente cumpridos.
Para ele, chegar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais significa transformar a experiência acumulada na defesa das famílias atípicas em atuação política em escala estadual, buscando fazer com que a causa tenha voz permanente nas decisões do Estado.
Atraso nos repasses coloca serviços em risco
Um dos momentos mais contundentes da conversa no Dedo de Prosa foi quando Daniel abordou os atrasos nos repasses da Prefeitura de Ipatinga às entidades que prestam atendimento às pessoas com TEA.
Segundo o vereador, a falta de regularidade nos pagamentos compromete diretamente a prestação dos serviços, provoca insegurança para as instituições e, principalmente, afeta centenas de famílias que dependem das terapias e dos atendimentos especializados.
Na avaliação de Daniel, não se trata apenas de uma questão contábil ou burocrática. Quando o recurso não chega à entidade, o impacto aparece na ponta: na terapia que pode ser interrompida, no profissional que precisa ser mantido e na família que fica sem saber se o atendimento terá continuidade.
TEAtivo: cerca de 100 famílias aguardam solução
Entre os casos apresentados pelo vereador está o TEAtivo, projeto que oferece intervenções de psicomotricidade e atende aproximadamente 100 famílias.
De acordo com Daniel, o programa encontra-se paralisado em razão de entraves burocráticos relacionados ao repasse de emendas impositivas destinadas à iniciativa. As emendas teriam sido devolvidas pela Prefeitura à Câmara Municipal, que agora trabalha nos ajustes necessários para um novo encaminhamento.
“A Câmara está correndo contra o tempo, para que as emendas possam ser pagas ainda este ano”, afirmou Daniel durante a conversa.
O vereador lembrou ainda que o TEAtivo já está em sua quarta edição e que o próprio governo municipal teria manifestado a intenção de transformar o projeto em política pública a partir de 2027.
Para Daniel, existe uma contradição que precisa ser enfrentada: não é razoável falar em transformar o programa em política pública no futuro enquanto famílias que precisam do serviço convivem, hoje, com a paralisação do atendimento.
NATEA e o desafio da continuidade do atendimento
Outro ponto levantado durante o Dedo de Prosa foi a situação do NATEA – Núcleo de Atendimento ao Transtorno do Espectro Autista, administrado pela ONG Luz para a Vida.
Segundo Daniel, a entidade chegou a apontar, em documento encaminhado ao Executivo, uma dívida da ordem de R$ 5 milhões, embora parte dos valores tenha sido posteriormente quitada.
O vereador também fez críticas ao modelo de atendimento adotado pelo núcleo, que atende aproximadamente 380 crianças, com idades entre 1 ano e meio e 6 anos e 11 meses.
De acordo com Daniel, após um número limitado de sessões, algumas crianças recebem alta e acabam retornando para o fim da fila. Para ele, o modelo precisa ser revisto, principalmente porque o autismo exige acompanhamento individualizado e, em muitos casos, contínuo.

Falta de risperidona preocupa famílias
A falta de medicamentos também entrou na pauta da conversa. Daniel relatou ter confirmado o desabastecimento de risperidona nas dosagens de 1 mg e 3 mg na farmácia pública, medicamento utilizado por parte das pessoas com autismo. Segundo o vereador, a situação se prolongaria há aproximadamente quatro meses.
Ele afirmou ainda que esta não seria a primeira vez que precisa cobrar publicamente o município pelo fornecimento do medicamento.
Para o parlamentar, a interrupção de um tratamento de uso contínuo representa um problema que vai muito além da administração da farmácia pública. A ausência do medicamento transfere para as famílias uma responsabilidade que, na sua avaliação, deveria ser assumida pelo poder público.
Uma luta que precisa ganhar força em Minas
A participação de Daniel do Bem no Dedo de Prosa do JBN expôs uma realidade que atinge um número crescente de famílias e que exige respostas mais efetivas do poder público.
Mais do que apresentar sua candidatura, o vereador aproveitou o espaço para reafirmar a bandeira que vem defendendo em Ipatinga e na Região Metropolitana do Vale do Aço: a construção de políticas públicas capazes de garantir atendimento, inclusão, medicamentos, terapias e respeito aos direitos das pessoas com autismo.
A candidatura à Assembleia Legislativa aparece, nesse cenário, como uma tentativa de levar essa pauta para além dos limites municipais.
A mensagem deixada por Daniel no JBN é direta: se a realidade das famílias atípicas precisa mudar, a luta também precisa ocupar espaços maiores de decisão. E é nesse cenário que ele coloca seu nome para deputado estadual, defendendo que a causa do autismo tenha voz ativa no Legislativo mineiro.
