Audiência Pública na Câmara de Fabriciano cobra transparência na escolha da nova gestora do Hospital, Upa e CEM

CORONEL FABRICIANO – A falta de transparência na escolha da nova gestora do Hospital Dr. José Maria de Morais e a preocupação com uma possível queda na qualidade dos serviços de saúde dominaram a audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Coronel Fabriciano, nesta quinta-feira (23). O debate, proposto pela Comissão de Saúde da Câmara, reuniu parlamentares, representantes do Executivo, profissionais da saúde, integrantes do Conselho Municipal de Saúde, do Ministério Público, da Defensoria Pública e moradores, em meio às dúvidas sobre a transição da administração do hospital, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Centro de Especialidades Médicas (CEM) para a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.
O encontro ocorreu poucos dias após o prefeito Sadi Lucca anunciar que a Santa Casa de Curitiba assumirá, por meio de um contrato emergencial de 12 meses, a gestão do Hospital Dr. José Maria de Morais, da UPA e do CEM, com repasse mensal de R$ 5,3 milhões. A forma como a entidade foi escolhida, entretanto, foi alvo de críticas dos vereadores, que afirmaram não terem sido informados sobre os critérios adotados pelo Executivo nem terem participado das discussões que antecederam a contratação.
Ao longo da audiência, os parlamentares demonstraram preocupação com os impactos da mudança na assistência prestada à população. O receio é que a transição ocorra sem planejamento adequado, comprometendo a qualidade do atendimento nas três unidades que concentram grande parte da demanda do sistema público de saúde do município.

Preservando a qualidade e a continuidade dos serviços de saúde
O presidente da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano, vereador Luciano Lugão, reforçou que o Legislativo acompanhará de forma permanente todo o processo de transição da gestão do Hospital Dr. José Maria de Morais, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Centro de Especialidades Médicas (CEM). Segundo ele, a principal preocupação dos vereadores é garantir que a mudança administrativa não resulte em prejuízos para a população, preservando a qualidade e a continuidade dos serviços de saúde.
Lugão destacou que a Câmara exercerá seu papel fiscalizador desde o início da atuação da nova gestora, acompanhando o cumprimento das metas, a aplicação dos recursos públicos e o funcionamento das unidades de saúde. Outro ponto que, segundo o presidente, merece atenção especial é o remanejamento dos servidores municipais que atualmente atuam nas unidades e que poderão ser absorvidos ou substituídos com a mudança de gestão.
“O compromisso da Câmara é fiscalizar cada etapa desse processo. Queremos assegurar que a população continue recebendo um atendimento digno e de qualidade e que toda a transição ocorra com transparência. Também estaremos atentos à situação dos trabalhadores envolvidos, acompanhando de perto como será conduzido o remanejamento desses profissionais para que não haja prejuízos aos serviços nem aos servidores”, ressaltou o presidente.

O vereador Zezinho Sinttrocel afirmou que o principal objetivo do debate foi cobrar transparência e criar mecanismos para que a Câmara possa fiscalizar a atuação da nova gestora desde o início da operação. Ao final da reunião, ele apresentou um requerimento solicitando que a Santa Casa de Curitiba apresente um plano de trabalho detalhado, informe a data oficial de início das atividades e entregue um diagnóstico completo da situação do Hospital Dr. José Maria de Morais, incluindo o número de pacientes que aguardam cirurgias eletivas e daqueles internados à espera de procedimentos.
Segundo o parlamentar, essas informações permitirão ao Legislativo comparar a situação encontrada pela nova administração com os resultados que serão alcançados ao longo da gestão. “Nós solicitamos essas informações para que, quando a mantenedora assumir definitivamente, possamos ter um comparativo e fiscalizar o cumprimento das metas”, afirmou.
Encaminhamentos
Ao final da audiência, ficou evidente a insatisfação dos vereadores com a condução do processo de transição e a cobrança por maior transparência por parte da Prefeitura. Além de questionarem os critérios que levaram à escolha da nova gestora, os parlamentares reforçaram que acompanharão de perto a implantação da gestão unificada do Hospital Dr. José Maria de Morais, da UPA e do CEM, diante do temor de que a mudança resulte na redução da qualidade dos serviços oferecidos à população. A expectativa é que a fiscalização permanente da Câmara contribua para garantir que a assistência à saúde seja preservada e que os usuários não sejam prejudicados durante o período de transição.
