Assessor da Prefeitura vai à Câmara e eleva tensão com servidores às vésperas de greve em Timóteo

TIMÓTEO – Após a deflagração de greve geral dos servidores públicos municipais, anunciada na última terça-feira (14) em assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Timóteo (Sinsep), o clima entre a categoria e a administração municipal se acirrou nesta quinta-feira (16).
A tensão aumentou após a presença do assessor adjunto de Relações Institucionais da Prefeitura, José Constantino Filho Coronel, na tribuna da Câmara Municipal, ocasião em que também foi protocolado e lido um Projeto de Lei contendo propostas já rejeitadas anteriormente pelos servidores.
A reação do Sinsep foi imediata. O presidente da entidade, Aslan Drumond, criticou duramente a iniciativa do Executivo. Segundo ele, ao encaminhar um projeto com pontos já recusados em assembleia, a administração demonstra falta de diálogo com a categoria.
“Os servidores se sentem desrespeitados. Não vamos aceitar que passem por cima dos servidores e da diretoria do Sinsep”, afirmou.
Diante do cenário, a diretoria do sindicato se reúne na manhã desta sexta-feira (17) com o presidente da Câmara Municipal, vereador Adriano Alvarenga, para discutir os próximos encaminhamentos.
Para José Constantino, representante dao governo, o envio do Projeto de Lei à Casa não significa fechamento das negociações. “Queremos deixar claro que o diálogo permanece aberto. Como já foi dito pela comissão de negociação, a porta continua aberta. Ninguém deseja uma greve. A cidade perde, os servidores perdem, todos perdem”, afirmou.
Clima de tensão
Da tribuna da Câmara Municipal, o assessor adjunto de Relações Institucionais da Prefeitura de Timóteo, José Constantino Filho Coronel, defendeu a postura do Executivo e reforçou a disposição para o diálogo com os servidores.
Segundo ele, o envio do Projeto de Lei à Casa não significa fechamento das negociações. “Queremos deixar claro que o diálogo permanece aberto. Como já foi dito pela comissão de negociação, a porta continua aberta. Ninguém deseja uma greve. A cidade perde, os servidores perdem, todos perdem”, afirmou.
O assessor destacou ainda as limitações impostas pela legislação fiscal, especialmente em relação aos gastos com pessoal. “Não vemos uma distância tão grande nas negociações, mas é preciso compreender os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Há um teto para despesas com pessoal que precisa ser respeitado”, explicou.
Ele detalhou que o percentual recomendado para a folha de pagamento é de 48%, com limite prudencial de 51,3% e máximo de 53%. “O cenário econômico deste ano tem sido desafiador, e o índice já está muito próximo do limite, com tendência de aumento”, alertou.
José Constantino também ressaltou que, segundo a administração, Timóteo se destaca na região do Vale do Aço pelo valor pago no vale-alimentação aos servidores. Além disso, afirmou que os índices inflacionários têm impactado diretamente as negociações salariais, ficando, em alguns casos, acima da capacidade de recomposição proposta pelo município.
A categoria foi desrespeitada

O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Timóteo, Aslan Drumond, criticou o envio do projeto de lei à Câmara Municipal sem acordo prévio com a categoria.
Segundo ele, a medida desconsidera as decisões tomadas pelos servidores em assembleia. “Encaminharam o projeto para a Câmara atropelando o sindicato e os servidores. Ao mesmo tempo, dizem que o diálogo está aberto. Que diálogo é esse, se pegam um projeto já rejeitado pela categoria e enviam diretamente ao Legislativo?”, questionou.
Aslan destacou ainda que a greve foi deliberada de forma oficial e documentada. “A decisão não foi tomada de forma informal. Está registrada e protocolada na própria administração municipal. Ainda assim, o Executivo insiste em um projeto que já foi rejeitado e que não atende às demandas dos servidores”, afirmou.
O presidente reforçou que a categoria não aceitará a condução do processo e convocou os trabalhadores para a paralisação. “Diante dessa postura, reforçamos o chamado para que todos os servidores participem da greve a partir do dia 22, às 6h, no Paço Municipal. É o momento de união para defender os nossos direitos”, concluiu.
Greve
A paralisação dos serviços públicos está prevista para começar no dia 22 de abril, após o feriado do dia 21, conforme já comunicado oficialmente ao governo municipal na quarta-feira (15).
De acordo com o Sinsep, a decisão pela greve foi motivada pela falta de acordo com a administração, especialmente em relação às propostas apresentadas pela categoria. Um dos principais pontos de insatisfação é o reajuste de 5% no vale-alimentação sugerido pela Prefeitura, abaixo dos 10% reivindicados pelos servidores.
