quinta-feira, outubro 15, 2026
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Abstenção cresce em Timóteo, Fabriciano e Ipatinga; longas filas levantam questionamentos

Número de eleitores que não compareceram às urnas aumentou nas três maiores cidades do Vale do Aço em relação a 2022; relatos de espera de mais de uma hora levantam hipótese de que problemas de logística possam ter contribuído para parte das ausências

VALE DO AÇO – As Eleições 2026 registraram aumento no número de eleitores que não compareceram às urnas em Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga, na comparação com o primeiro turno das eleições de 2022.

Os números chamam atenção porque o crescimento da ausência ocorreu nas três principais cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço. Em Timóteo, a elevação foi proporcionalmente maior; em Ipatinga, ocorreu o maior aumento absoluto entre os três municípios.

Ao mesmo tempo, relatos colhidos pelo JBN durante a votação do último domingo (4) apontam para outro fator que merece ser analisado: as longas filas e a demora em alguns locais de votação podem ter contribuído para que parte dos eleitores desistisse de votar.

É importante ressaltar, entretanto, que não há, até o momento, elementos suficientes para afirmar que as filas foram responsáveis pelo aumento da abstenção. Trata-se de uma hipótese levantada a partir dos relatos dos próprios eleitores e que merece ser considerada na avaliação da organização do segundo turno.

Timóteo teve o maior crescimento proporcional

Em Timóteo, o número de eleitores que não compareceram às urnas passou de 12.503, em 2022, para 13.836 em 2026.

São 1.333 eleitores a mais que deixaram de votar, enquanto o percentual de ausência passou de 20,95% para 23,21% — crescimento de 2,26 pontos percentuais.

O resultado coloca Timóteo como o município, entre os três analisados, que apresentou o maior crescimento proporcional da ausência às urnas.

Fabriciano também registra aumento

Em Coronel Fabriciano, foram 19.645 eleitores ausentes em 2022, correspondendo a 24,07% do eleitorado.

Em 2026, o número subiu para 20.059 eleitores que não compareceram, ou 25,09%.

O aumento foi de 414 eleitores, com crescimento de aproximadamente 1,02 ponto percentual no índice de ausência.

Embora proporcionalmente menor que o registrado em Timóteo, o resultado confirma a tendência de crescimento do não comparecimento também em Fabriciano.

Ipatinga concentra o maior número de ausentes

Em Ipatinga, o número de eleitores que não compareceram às urnas passou de 41.540, em 2022, para 43.053 em 2026.

Foram 1.513 ausentes a mais, com o percentual passando de aproximadamente 23,05% para 24,37%.

Ipatinga apresenta, portanto, o maior número absoluto de eleitores que não compareceram entre as três cidades.

Comparativo

Município Não compareceram em 2022 Não compareceram em 2026 Aumento
Timóteo 12.503 13.836 +1.333
Coronel Fabriciano 19.645 20.059 +414
Ipatinga 41.540 43.053 +1.513
Total 73.688 77.332 +3.644

Somadas, as três cidades passaram de 73.688 eleitores que não compareceram às urnas em 2022 para 77.332 em 2026.

Isso significa que, no primeiro turno deste ano, 3.644 eleitores a mais deixaram de comparecer às urnas nos três municípios.

Ausência às urnas não significa voto branco ou nulo

A análise exige uma observação importante.

Os 77.332 eleitores acima são aqueles que não compareceram às urnas. Eles não devem ser confundidos com os eleitores que foram aos locais de votação, registraram presença e posteriormente votaram em branco ou anularam o voto.

São situações completamente diferentes.

O eleitor que não compareceu integra a estatística de abstenção. Já aquele que compareceu, mas escolheu a opção “branco” ou digitou um número inválido, não é considerado abstencionista.

Essa distinção é fundamental para compreender o comportamento do eleitorado nas Eleições 2026.

Longas filas podem ter contribuído?

É justamente nesse ponto que os relatos registrados pelo JBN durante a votação ganham relevância.

Em diferentes locais de Timóteo, eleitores relataram filas extensas e demora para conseguir votar.

Na região do Centro-Norte, no CEFET, e no bairro Alvorada, no Colégio Municipal, a reportagem recebeu relatos de eleitores que enfrentaram espera prolongada.

A eleitora Isabela Cristina, que estava na fila do CEFET, contou ao JBN ter permanecido mais de uma hora e meia aguardando para votar. Segundo ela, também presenciou pessoas desistindo da votação.

“Fiquei na fila mais de uma hora e  meia, o que pra mim foi um absurdo. Eu acho que a alta de abstenção e comparecimento nesta eleição podem ter relação com essa falta de logística. No segundo turno, se a fila estiver da mesma forma, vou embora e justificar, ou até pagar multa: não vou tomar chá de fila mais”, relatou.

Outro eleitor ouvido pelo JBN informou que permaneceu mais de uma hora na fila do Colégio São Sebastião, na região central de Timóteo.

Segundo o relato, não houve problema com a urna. A demora estaria relacionada principalmente à quantidade de eleitores e ao tempo necessário para registrar os votos.

“São seis candidatos, né? Demora um pouco para digitar os números na urna”, afirmou.

Relatos não comprovam causa, mas levantam uma questão

Os depoimentos não permitem afirmar que as filas tenham provocado o aumento da abstenção.

Há diversas razões que podem levar um eleitor a não comparecer às urnas — compromissos pessoais, viagens, problemas de saúde, dificuldades de transporte, desinteresse pelo processo eleitoral ou simplesmente a decisão de não votar.

Entretanto, os relatos de eleitores que desistiram diante das filas não podem ser ignorados.

Existe uma diferença importante entre o eleitor que decidiu previamente não votar e aquele que pretendia exercer o direito de voto, mas encontrou uma situação de espera tão prolongada que acabou desistindo.

É justamente essa segunda situação que precisa ser investigada.

Segundo turno será um novo teste

Os números e os relatos colocam uma questão para a organização do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Se as filas forem novamente registradas nos mesmos locais e, principalmente, se houver novos relatos de eleitores desistindo da votação por causa da demora, a hipótese de que problemas de logística possam ter contribuído para parte das ausências ganhará maior relevância.

Por outro lado, se o processo ocorrer de maneira mais rápida e organizada, será possível observar se o índice de não comparecimento apresenta comportamento diferente.

Análise JBN

O dado mais importante desta análise é simples: Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga tiveram mais eleitores ausentes em 2026 do que em 2022.

Foram 3.644 pessoas a mais que não compareceram às urnas nas três cidades.

Isso é um fato.

Já a eventual influência das filas sobre esse resultado ainda é uma hipótese, sustentada pelos relatos de eleitores ouvidos pelo JBN, mas que não pode ser apresentada como conclusão definitiva.

Ainda assim, o problema merece atenção.

Uma eleição não termina quando a urna funciona. Ela também depende de uma estrutura capaz de permitir que o eleitor vote sem enfrentar obstáculos desproporcionais.

Se um cidadão chega ao local de votação, encontra uma fila interminável e decide ir embora, esse episódio não aparece na urna eletrônica. No resultado oficial, ele simplesmente será contabilizado como mais um eleitor ausente.

É justamente por isso que os números oficiais e os relatos das filas precisam ser analisados conjuntamente.

A pergunta que fica para o segundo turno é: quantos eleitores que pretendiam votar poderão desistir novamente se encontrarem as mesmas filas?

O comportamento do eleitorado no dia 25 de outubro poderá ajudar a responder essa questão.

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