Em Timóteo, motoristas acumulam prejuízos com meios-fios altos nas vagas a 45 graus

TIMÓTEO – Uma das principais queixas de motoristas em Timóteo tem endereço certo: os passeios públicos com guias — ou meios-fios — excessivamente altos. Em vagas de estacionamento a 45 graus, comuns em áreas comerciais da cidade, o problema se repete com frequência: saias dianteiras raspadas, para-choques danificados e defletores de ar quebrados.
A reclamação é recorrente, especialmente entre proprietários de carros baixos, sedãs esportivos e alguns modelos de SUVs com balanço dianteiro mais alongado. O ângulo de 45 graus facilita a entrada e saída das vagas, mas, quando a guia é construída acima do padrão recomendado, a parte frontal do veículo — localizada entre a roda dianteira e o para-choque — acaba colidindo ou raspando no concreto.
O resultado é prejuízo. O contato direto provoca arranhões profundos, rachaduras no plástico e, em casos mais graves, o desprendimento da saia dianteira ou do protetor inferior do motor. “É praticamente impossível estacionar sem raspar”, relatam condutores, que afirmam já ter arcado com despesas de reparo mais de uma vez.
Para tentar evitar novos danos, muitos motoristas passaram a estacionar de ré. A justificativa é técnica: a traseira dos veículos geralmente possui maior altura em relação ao solo ou um balanço menor, o que reduz o risco de impacto com o meio-fio. Ainda assim, a solução improvisada não resolve o problema estrutural.
Especialistas apontam que o impasse evidencia falhas no acompanhamento e fiscalização das obras de passeio público. Segundo a norma Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da ABNT NBR 9050, rebaixamentos de guia devem ter inclinação suave e atender critérios de acessibilidade e segurança. No entanto, nem todos os locais seguem as recomendações técnicas, seja por desconhecimento, economia de custos ou ausência de fiscalização adequada.
Além dos prejuízos materiais, a situação levanta debate sobre planejamento urbano e responsabilidade técnica. Guias fora do padrão não impactam apenas veículos: também podem comprometer a acessibilidade de pedestres, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Enquanto não há uma revisão das construções ou uma padronização mais rigorosa, motoristas seguem redobrando a atenção — e a conta continua chegando para quem estaciona.
