VIROU BAGUNÇA: Obra irregular a poucos metros da Prefeitura expõe falhas de fiscalização em Timóteo
Fotos e vídeo PCReis/JBN
TIMÓTEO – A poucos metros da sede da Prefeitura Municipal de Timóteo, uma intervenção urbana tem chamado a atenção de moradores e levantado questionamentos sobre a atuação da fiscalização no município. Na avenida Acesita, trajeto diário do prefeito Capitão Vitor Prado, do vice-prefeito Marcelo Martins e de servidores do Executivo, uma obra de redução do passeio público foi iniciada e, até então, seguia sem paralisação.
A intervenção consiste na retirada de parte dos bloquetes da calçada e no recuo do meio-fio para a construção de uma baia destinada ao estacionamento de caminhões. Parte da obra já estava concluída quando a reportagem do JBN esteve no local.
Em conversa reservada com a reportagem, um secretário municipal admitiu problemas internos na administração. “A cidade está uma bagunça”, afirmou. Segundo ele, além deste caso, há outras situações irregulares que não deveriam ocorrer. “Tem muita gente mandando, e as secretarias não estão se entendendo: uma espécie de ilha”, declarou.
Moradores e frequentadores da região relatam preocupação com a mudança na estrutura da via. José Roberto, que utiliza o trecho para caminhadas, afirma que a presença constante de caminhões baú compromete a segurança. “Com este recuo totalmente irresponsável, a coisa ficou ainda pior. O pedaço de passeio próximo ao mato e à cerca de arame ficou mais perigoso”, disse, acrescentando que formalizou denúncia sobre o caso.
A principal queixa diz respeito à visibilidade reduzida para pedestres que transitam pela avenida, sobretudo com os veículos de grande porte estacionados na nova baia, o que, segundo usuários da via, pode favorecer ações criminosas.
Até às 14h21 desta segunda-feira, dia da apuração, a obra não havia sido interrompida. Procurada, a Prefeitura informou que, de acordo com Sândalo Rosemberg, responsável pela Mobilização Urbana, a obra na avenida Acesita, nas proximidades do Depósito União, não possui autorização. A Secretaria de Planejamento, por meio do setor de Licenciamento, afirmou que não foi expedido alvará para a intervenção e que, após denúncias, a fiscalização esteve no local na segunda-feira (02/03) e embargou a obra.
Caso semelhante em 2024
Situação parecida foi registrada em 2024, também em Timóteo. Conforme noticiado pelo JBN à época, uma obra de recuo na pista da avenida Maria Rodrigues, esquina com a avenida Acesita, no bairro Olaria, gerou críticas da população.
O projeto previa a criação de estacionamento em ângulo de 45 graus. A marcação das vagas com faixas amarelas, porém, avançava sobre a pista de rolamento, fazendo com que os veículos estacionados ficassem com a parte frontal invadindo a via.
De acordo com a apuração do JBN, a intervenção tinha autorização do Setor de Planejamento da Prefeitura, mas sem o conhecimento do setor de Trânsito do município. O estacionamento foi construído voluntariamente por um empresário interessado na adequação da área.
Após ampla repercussão e denúncias, o setor de Trânsito revisou a situação e promoveu as adequações necessárias, conforme previsto no Plano de Mobilidade Urbana.
Os dois episódios reacendem o debate sobre integração entre secretarias, fiscalização de obras e planejamento urbano em Timóteo, especialmente quando intervenções ocorrem em áreas centrais da cidade, próximas ao próprio centro administrativo municipal.

