Impasse no Hospital Vital Brazil: Câmara de Timóteo convoca audiência pública

TIMÓTEO – O Parlamento de Timóteo aprovou a realização de uma Audiência Pública para debater o cenário de incerteza e apreensão que envolve a saúde pública do município. O requerimento que convocou os debates é de autoria do presidente da Casa Legislativa, vereador Adriano Alvarenga.
A mobilização ocorre após decisão do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), que determinou a imediata suspensão da Concorrência Pública nº 13/2025, promovida pela Prefeitura de Timóteo, no Vale do Aço. O procedimento era considerado estratégico para a reestruturação do Hospital e Maternidade Vital Brazil e previa a concessão onerosa do direito de uso do imóvel onde funciona a unidade, destinada à prestação de serviços hospitalares de média complexidade e maternidade.
A interrupção do processo licitatório ampliou a preocupação da presidência da Câmara Municipal de Timóteo, especialmente diante da proximidade do fim do contrato emergencial atualmente em vigor com a Associação Hospitalar Beneficente Brasil (AHBB), conhecida como Rede Santa Casa. O acordo termina em 26 de março de 2026, o que intensifica a pressão por uma solução juridicamente segura e capaz de assegurar a continuidade dos atendimentos.
Dívida de R$ 10 milhões
Em meio ao impasse, a direção do Hospital de Timóteo encaminhou ofício ao Legislativo manifestando interesse na renovação do contrato emergencial. No documento, entretanto, a instituição ressalta a importância de a Câmara intermediar tratativas para que o Município arque com uma dívida estimada em cerca de R$ 10 milhões, antes mesmo de qualquer discussão sobre a renovação contratual.
A situação expõe um problema estrutural. Há anos, o Município de Timóteo mantém medidas emergenciais para garantir o funcionamento do hospital — iniciativas consideradas insuficientes para assegurar atendimento pleno e contínuo à população. A dependência de soluções temporárias evidencia a falta de planejamento de longo prazo e de investimentos consistentes na saúde pública, comprometendo não apenas a qualidade do serviço prestado, mas também a segurança e o bem-estar dos cidadãos.
A Audiência Pública deverá reunir representantes do Executivo, do Legislativo, da direção hospitalar e da sociedade civil para discutir alternativas viáveis e sustentáveis para o futuro da unidade hospitalar, em um momento decisivo para a saúde do município.
