Sem milagres: especialista alerta sobre os riscos do uso indevido do Mounjaro

Autor: Comunicação Unimed Prudente
REDAÇÃO – A busca pelo “corpo perfeito” tem levado muitas pessoas a recorrerem a alternativas consideradas rápidas para a perda de peso. Entre elas, o Mounjaro, medicação injetável que tem ganhado popularidade por prometer resultados em curto prazo.
Entretanto, é fundamental redobrar a atenção. Pensando nisso, a Unimed Prudente conversou com um especialista para esclarecer os principais cuidados, indicar quando o tratamento é realmente recomendado e reforçar a importância de acompanhamento médico responsável.
Mas afinal, o que é Mounjaro?
De acordo com o médico endocrinologista cooperado da Unimed Prudente, Dr. André Camara, o Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento injetável que age de forma semelhante a dois peptídeos intestinais, o GIP e o GLP-1. Com isso, ele ajuda o pâncreas a liberar insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz o hormônio glucagon, diminui o esvaziamento gástrico e reduz o apetite — efeitos que, em conjunto, melhoram os níveis de glicose e favorecem a perda de peso.
No Brasil, a Anvisa aprovou o Mounjaro para o tratamento do diabetes tipo 2, do sobrepeso associado a fatores de risco (como apneia do sono) e também da obesidade em adultos, sempre aliado a uma dieta equilibrada e à prática de atividade física com orientação médica.
Dr. André Camara, endocrinologista cooperado da Unimed Prudente, explica os cuidados e orientações sobre o uso do Mounjaro no tratamento da obesidade e diabetes (Arquivo/ Pessoal)
Como é realizado o tratamento?
Segundo o Dr. André Camara, o início das aplicações é feito de forma progressiva, para que o organismo se adapte e para evitar enjoos. O tratamento começa com uma dose menor, que deve ser aumentada gradualmente conforme a orientação médica.
Pacientes que utilizam medicamentos para o diabetes tipo 2, como insulina ou sulfonilureia, podem precisar reduzir essas doses para evitar hipoglicemia quando o Mounjaro começar a fazer efeito.
“O acompanhamento envolve monitorar os níveis de glicemia e repetir o exame de hemoglobina glicada a cada três meses, até que o quadro esteja estabilizado. Também avaliamos o peso, a circunferência da cintura, a pressão arterial, o colesterol e os marcadores renais e hepáticos, ajustando as metas e as doses de outros medicamentos conforme necessário. Educação alimentar, atividade física e sono de qualidade continuam sendo pilares fundamentais do tratamento”, explica o médico.
Critérios antes da prescrição
O especialista esclarece que, antes de prescrever o medicamento, é avaliado se o paciente se enquadra nas indicações e quais medicamentos já utiliza (como metformina, SGLT2 ou insulina), além dos riscos de hipoglicemia e do histórico oftalmológico, renal e hepático — incluindo a possibilidade de gestação.
“Checamos contraindicações, como casos de carcinoma medular de tireoide no paciente ou na família (apesar de estudos não comprovarem aumento desse risco em humanos que utilizam tirzepatida) e a presença de síndrome MEN2. Outras cautelas são necessárias, como histórico de pancreatite, presença de pedras na vesícula, episódios de desidratação (vômitos ou diarreia, que podem afetar os rins) e o uso de outras medicações que causem hipoglicemia. Também avaliamos doenças pré-existentes que possam ser agravadas, como o refluxo gastroesofágico”, detalha o endocrinologista.
Efeitos adversos mais comuns
Assim como em qualquer tratamento medicamentoso, o uso do Mounjaro pode causar alguns efeitos adversos. Os mais comuns são náusea, vômito, constipação e, com menor frequência, diarreia. Normalmente, esses sintomas são leves a moderados e tendem a melhorar com o tempo.
O médico destaca que eventos menos comuns incluem problemas na vesícula biliar (como cólica e dor abaixo da costela direita) e pancreatite (dor abdominal intensa e contínua), situações que exigem avaliação médica imediata.
“Estratégias simples ajudam a reduzir os desconfortos: comer devagar, optar por porções menores, evitar o excesso de gordura e de álcool e respeitar o aumento gradual da dose. Em comparação com outros medicamentos da mesma classe, a taxa desses sintomas é semelhante e, para a maioria dos pacientes, manejável”, orienta o Dr. André Camara.
Dicas e cuidados essenciais
O médico cooperado reforça que o Mounjaro não é um milagre, mas sim uma ferramenta eficaz quando associada a hábitos saudáveis — alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, sono adequado e controle do estresse.
“Os resultados variam entre as pessoas e exigem paciência, regularidade e ajustes ao longo das semanas. O uso deve ser sempre acompanhado por um endocrinologista, e é importante evitar fórmulas manipuladas ou compostas que tentam imitar o medicamento. As sociedades médicas desaconselham essas versões devido a riscos relacionados à qualidade, à dosagem e à segurança”, finaliza.
Fonte: Unimed Prudente
