“A máfia do ‘autismo”: Polícia Civil investiga uma rede criminosa suspeita de explorar famílias

REDAÇÃO – A Polícia Civil de São Paulo investiga desde o ano passado uma rede criminosa suspeita de explorar famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio de fraudes em diagnósticos e cobranças indevidas a planos de saúde. O caso veio à tona após operação contra o Instituto de Neurodesenvolvimento Infantil (Almai), com unidades em Santos e Praia Grande. A ramificação da “máfia do autismo” está em vários estados, principalmente em cidades do interior.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Mongaguá em dezembro de 2025, apura a falsificação de laudos médicos utilizados para obter liminares judiciais que obrigavam operadoras a custear terapias sem limite de sessões. Segundo a polícia, haveria registros de cargas horárias elevadas — algumas incompatíveis com a prática clínica — e indícios de atendimentos não realizados, mas faturados.
Um dos focos é a ligação entre a clínica e uma associação de apoio a pessoas com autismo em Peruíbe, presidida por advogado vinculado à instituição, o que, para os investigadores, teria servido para captar famílias e conferir aparência de legitimidade ao esquema. A Almai nega irregularidades.
Autoridades afirmam que o modelo pode se repetir em outras capitais, como Recife, Minas Gerais Bahia e São Paulo. O caso expõe falhas na fiscalização de terapias custeadas por decisão judicial e acende alerta para o risco de que fraudes prejudiquem tanto operadoras quanto famílias que buscam tratamento de forma legítima.
Para autoridades e especialistas, o enfrentamento do problema exige medidas estruturais, como maior integração de dados entre operadoras, órgãos reguladores e conselhos profissionais, além de mecanismos mais eficazes de verificação de laudos e da execução terapêutica.
Enquanto as investigações avançam, o caso expõe um cenário complexo: de um lado, a necessidade urgente de garantir direitos a crianças com autismo; de outro, a existência de estruturas que, segundo a polícia, teriam instrumentalizado essa causa para fins ilícitos.
Fonte: Justiça & Saúde
