Arroz, óleo de soja, açúcar e carne viraram artigo de luxo na mesa do consumidor

Timóteo – Os consumidores do Vale do Aço vêm sentindo no bolso o reajuste de preços de itens importantes da cesta de alimento. Desde a segunda quinzena de agosto, comprar um litro de óleo de soja, carne, açúcar e arroz virou um calvário. O consumidor gasta uma fortuna e saí do supermercado com uma sacolinha na mão. O aumento pode superar os 40% em relação ao mês de junho, quando comparado os valores mais altos praticados nos supermercados da cidade. A carne teve um aumento de 30% e açúcar 11%.

O JBN fez uma consulta ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O Cepea informou que a demanda por óleo de soja para a produção de biodiesel é um dos itens que estão influenciando a alta do preço. Também puxaram os preços para cima foram a desvalorização da moeda brasileira e o alto consumo com devido ao isolamento social.

Segundo o Cepea, de junho para julho, o preço médio do derivado de soja subiu 13%, registrando média de R$ 4.292,14 a tonelada, em julho. “A demanda doméstica pelos derivados continua aquecida. Para o óleo, segundo pesquisadores, a procura vem especialmente para produção de biodiesel, o que tem feito com que o setor alimentício já mostre dificuldades na aquisição do derivado. Processadoras têm intensificado as aquisições de soja em grão, uma vez que poucas têm estoques de matéria-prima para processar até o final do ano”, diz o Cepea, em nota.

Nos supermercados do Vale do Aço o preço do litro do óleo de soja pode ser encontrado entre R$ 4,78 (preço de promoção) até R$ 5,69. Em junho o produto era encontrado nas gôndolas dos supermercados da cidade no menor valor de R$ 3,79 a R$ 3,95. Entretanto a escalada do preço do óleo de soja vem desde setembro de 2019, quando apurou na época o valor do litro do produto entre R$ 2,99 a R$ 3,85.

“Falam que não tem inflação, mas tá bem difícil fazer a compra do mês. A carne, o arroz, o óleo entre outros produtos tiveram muito reajuste. Está tudo subindo e o salário continua o mesmo”, reclamou Josélia Fernandes, que afirma que a sua compra do mês teve um acréscimo de pelo menos R$ 200,00.

Alimentos

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação a junho, os preços dos alimentos tiveram variação média de 3,69%, o maior aumento desde março (4,23%). Com isso, até julho, a variação acumulada no ano foi de 12,03%, segunda maior taxa da série no mês, perdendo para julho de 2012 (12,09%). Por fim, na comparação com julho de 2019, os preços mais recentes estavam 23,78% maiores.

O destaque dado ao setor se deve ao fato de ter sido a segunda maior variação de preços, na perspectiva do acumulado em 12 meses e de, em termos de influência, ter sido a primeira nos três indicadores calculados: em relação ao mês anterior (0,90 p.p., em 3,22% da variação das indústrias extrativas e de transformação), acumulado no ano (2,83 p.p., em 7,28%) e acumulado em 12 meses (5,24 p.p., em 11,13%).

Os quatro produtos de maior influência no resultado de julho contra junho – responderam por 2,21 p.p., em 3,69% – foram: “açúcar VHP (very high polarization)”, “carnes e miudezas de aves congeladas”, “resíduos da extração de soja” e “óleo de soja em bruto, mesmo degomado”. Desses produtos, apenas “açúcar VHP (very high polarization)” aparece em destaque em termos de variação.

O aumento de preços do açúcar esteve atrelado ao aquecimento do mercado externo, não podendo perder de vista a depreciação do real. Em julho, a depreciação foi de 1,6%, mas o acumulado em 2020 atingiu 28,5% e entre julho de 2019 e julho de 2020, 39,7%. Essa depreciação também atingiu os demais produtos, uma vez que todos são exportados.

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