Família acusa hospital de negligência após bebê nascer morto em Timóteo

Carlos e Paloma, enquanto aguardavam a liberação do corpo para ser encaminhado ao IML

Timóteo (Fotos PCReis) – Após quase quatro dias em trabalho de parto, uma dona de casa residente no Bairro Limoeiro, Regional Leste da cidade de Timóteo, deu à luz a um bebê morto na manhã desta quinta-feira (24) no Hospital e Maternidade Vital Brazil. A família acusa o hospital de negligência e diz que, por causa da demora em realizar a cirurgia, faltou oxigênio para o bebê. Segundo informações de uma das tias da criança, o bebê foi “retirado” com o cordão umbilical completamente enrolado no pescoço.

A possível negligência denunciada pela família da paciente coincide com o momento em que Corpo Clínico do Hospital e Maternidade Vital Brazil anuncia que irá paralisar a prestação de serviços a partir do dia 1º de novembro de 2019, “sendo assegurados apenas os atendimentos dos pacientes já internados”.

O ofício datado de 23 de novembro, assinado pelo advogado Maicon Paulo Silveira Reis, representante dos médicos, explica que a motivação para a suspensão dos serviços são os “frequentes e injustificados atrasos dos pagamentos dos atendimentos feitos pelos médicos e que são de obrigação da Sociedade Beneficente São Camilo”, mantenedora do Hospital e Maternidade Vital Brazil (HMVB). Os atrasos no pagamento dos vencimentos já supera a cinco meses.

Relato da Paciente e da Família

A família não se conformava com a demora para liberação do corpo que seria encaminhado ao IML de Ipatinga

O exame de ultrassonografia do pré-natal, apresentado no hospital, apontava a provável data para a realização da cesariana, justamente no dia 21 de outubro, mesmo dia em que a paciente sentiu as primeiras contrações e se apresentou na unidade hospitalar pela primeira vez.

A dona de casa Paloma dos Anjos Santos, 26 anos, que estava na 40ª semana de gestação,  deu entrada no hospital na tarde da última segunda-feira (21), por volta das 15h, após sentir contrações. Ela foi examinada e aconselhada a voltar para casa, mesmo “sentindo as  dores do parto”. A gestante informou ao JBN, que o seu pré-natal foi muito tranquilo e muito bem orientado na Unidade Municipal de Saúde do Bairro Limoeiro. “Não tinha nada de anormal, o que complicou foi à falta de humanidade que encontramos dentro deste hospital”, reclamou.

De volta para casa, contou o marido de Paloma, Carlos Santos, quando foi mais ou menos 3h da manhã de terça-feira (22), depois que ela reclamou do aumento das contrações, voltamos para o hospital na esperança que fosse feita a cesariana, porque “o sofrimento da minha esposa era grande”. Desta feita, já na quarta-feira (23), conta Carlos, o médico de plantão disse que precisava fazer um ultrassom, pediu para a minha esposa permanecer em repouso no hospital e que a cesária seria feita posteriormente.

Com o ultrassom em mãos, na manhã desta quinta-feira (24), a equipe médica descobriu que o bebê estava morto – uma menina toda perfeita. Segundo Carlos e Paloma, o médico não deu muitas explicações a respeito do caso e que também não se dispuseram a liberar os exames  realizados daquele dia. “Estamos todos muito revoltados com a situação. Minha filha estava perfeita, toda formada, mas faltou oxigênio e ela morreu, disse a mãe do bebê, Paloma dos Anjos.

IML

Por insistência da família e da intervenção da Polícia Militar, o corpo do bebê foi liberado e encaminhado no início da noite desta quinta-feira, para o Instituto Médico Legal – IML, de Ipatinga. A liberação para o velório e sepultamento deverá acontecer na manhã desta sexta-feira (25). O sepultamento será no Cemitério Jardim da Saúde, do Bairro Santa Maria.

Nesta sexta-feira (25), a família irá protocolar um requerimento no hospital solicitando todo o prontuário da paciente.

O JBN fez diversos contatos com o hospital, sem sucesso, pelo telefone 3849 9500 (Número especificado no site do estabelecimento) e pelo Fale Conosco do site (não funciona).

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