Audiência Pública em Timóteo discute a necessidade de implantação de canil municipal

Timóteo – Em audiência realizada na noite da última terça-feira (14/10), na Câmara de Timóteo, foi debatida a necessidade de implantação de canil municipal e solução para coibir o crime de abandono de animais. A iniciativa do vereador Wladimir Geraldo de Lana e do prefeito Douglas Willkys levou ao plenário da Câmara, representantes da causa de proteção animal e interessados para debater sobre o tema e democratizar o espaço para sugestões. Estiveram presentes à audiência os vereadores Adriano Tibata e Leanir José de Souza (Zizinho), secretário de Saúde Eduardo Morais, representantes do Serviço de Zoonoses de Timóteo, representantes das Ongs Meu Amigo Cão e a antiga Associação de Proteção aos Animais do Vale do Aço (ASPAN), voluntários do Corpo de Bombeiros, alunos do curso de Medicina Veterinária da Unileste, proprietários de pet shops e voluntários da sociedade civil.

O prefeito Douglas Willkys propôs a discussão e contou que conhece pessoas que alugaram imóvel para servir de abrigo a cães e gatos e o mantêm por conta própria. “Hoje o município tem limitações legais para contratação de profissionais, além de problemas financeiros. Estamos fazendo uma provocação para podermos organizar melhor a estrutura pública”, afirmou.

A médica veterinária Shara Regina da Silva, referência técnica da Zoonoses de Ipatinga e atual presidente da Ong Meu Amigo Cão, expôs os pontos positivos e negativos acerca do funcionamento do canil/gatil municipal. “A disponibilização de testes de Leishmaniose e vacina antirrábica gratuita, o acolhimento de animais abandonados e orientação para adoção e guarda responsável, além do oferecimento de consulta simples sem custo são pontos muito positivos aliados ao trabalho incansável da equipe da zoonoses. Já, os altos custos para manutenção do canil/ gatil, as dificuldades do controle sanitário para evitar a transmissão de doenças e banalização da guarda responsável por parte dos proprietários que transfere responsabilidades e custos ao serviço público são alguns dos ítens negativos”, pontua. A veterinária citou ainda que são gastos cerca de R$80 mil anuais com ração e tratamento de animais acolhidos.

A protetora Luciana Viana, proprietária de pet shop no bairro Bromélias, é a favor da implantação do canil municipal com modelo de acolhimento e política de adoção. Ela contou que abriga cães abandonados e tornou-se referência pelo trabalho voluntário pela causa. Outra voluntária, Luana Ataíde B. Damato, integrante do Corpo de Bombeiros, expôs a dificuldade após o resgate de animais. “Cem por cento dos casos de resgate não tem estrutura para tal. O município não dispõe de um local para receber os resgatados” frisa. Em alguns casos, Luana procura adoções por conta própria porque outros municípios não recebem cães recolhidos de cidades vizinhas. A ex-integrante da ASPAN, Kenya Ferreira, se posicionou contra a construção de um canil municipal por entender que o modelo ideal está muito longe da realidade do município. “A experiência vivida na ASPAN, cujos membros tinham comum acordo pela não criação de um abrigo, para que este não fosse transformado em “depósito” de animais, me mostrou isso. Recomendo que o município ofereça pelo menos um número de castrações por mês”, disse a voluntária.

“A adoção de medidas educativas sobre guarda responsável de animais domésticos é urgente no município. Sem esta responsabilização dos donos de cães e gatos nada vai caminhar, o canil poderá se tornar um problema de saúde pública. As leis tem que ser cumpridas”, falou o médico veterinário Milton Max Madeira de Oliveira, referência técnica da Zoonoses de Timóteo.

Ao final da audiência, foi proposta a formação de uma comissão para dar continuidade ao trabalho. Foram sugeridas ações de parceria com universidade regional, com outras cidades e possivelmente uma ação colegiada. Estudantes do curso de Medicina Veterinária da Unileste colocaram-se à disposição do município.

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