Sem vacina, leishmaniose mata a população. Vacinar o cão custa R$150,00 a dose. A coleira repelente R$ 120,00

Em Leopoldina MG, o poder público não esperou pela boa vontade do Ministério da Saúde. Mais de 500 cães receberam a coleira com repelente. A coleira é atualmente a única medida eficaz que, comprovadamente, protege o animal da picada do mosquito palha, transmissor da leishmaniose. Distribuídas gratuitamente, a iniciativa consiste no encoleiramento em massa de cães e a coleta de sangue para diagnóstico da doença.

TIMÓTEO – O número de casos de leishmaniose nas três maiores cidades do Vale do Aço nos primeiros meses deste ano preocupa as secretarias municipais de saúde e deixa a população apreensiva. Em Timóteo, este ano, mais de 30 cães foram sacrificados em decorrência da doença; em 2017 foram 171 casos confirmados e pelo menos 11 pessoas foram contaminadas com a doença, sendo que uma delas morreu.

Fabriciano e Ipatinga

Em Coronel Fabriciano, a secretaria municipal afirma que foram notificados 317 casos de cães suspeitos de estarem com a doença em 2017, sendo que em 69 casos foi confirmada a leishmaniose. Neste ano, já foram notificados 95 casos de leishmaniose visceral em cães; quatro foram confirmados.

Já em seres humanos, a secretaria de Saúde de Fabriciano afirma que foram 44 casos notificados, sendo 15 confirmados. Ao menos duas pessoas morreram de leishmaniose visceral humana na cidade no ano passado. Em 2018, 14 casos foram notificados até o momento, e já foi confirmado que duas pessoas adquiriram a doença no município este ano; dois casos estão em análise.

Em Ipatinga, a Secretaria Municipal de Saúde de Ipatinga, informou que no ano de 2017 foram notificados 79 casos da doença em seres humanos; 22 foram confirmados e cinco pessoas faleceram em decorrência da doença.

6.582 cães foram submetidos a teste pelo setor de zoonose. 2.892 foram positivos. 1895 cães foram eutanasiados.

AÇÕES PREVENTIVAS

Em todas as ações, desde o trabalho preventivo até a confirmação dos casos positivos em animais e a necessidade de eutanásia, os municípios agem em conformidade com todos os protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde.

Diante de tantas críticas, principalmente de protetores de animais e informações distorcidas, a Vigilância Epidemiológica esclarece que se receber alguma informação ou durante alguma visita de rotina suspeitar que um cão esteja com leishmaniose, um teste rápido é realizado pelo município.

MUNICÍPIOS NÃO OFERECEM VACINAS E NEM COLEIRAS

Após a confirmação de que o cão está com a doença, é dada ao proprietário a opção de tratamento com um medicamento vendido no Brasil, mas que não é oferecido pelo PVC-LV (Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral), por, segundo o Ministério da Saúde, “não se tratar de uma ferramenta de controle da doença”. Além disso, para o Ministério, “o tratamento de cães com a leishmaniose visceral canina é uma ação de bem-estar animal e não de saúde pública, pois este manejo não contribuiu para redução de casos humanos”.

É preciso ressaltar que a Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012 proíbe o uso de recursos destinados ao SUS (Sistema Único de Saúde) para o tratamento de cães com leishmaniose no âmbito federal, estadual ou municipal. No entanto, os cães continuarão ficando doentes, a população infectada e morrendo, enquanto o Ministério da Saúde permanece de braços cruzados para que empresários continuem vendendo coleiras de R$ 120,00 e vacinas ao custo de R$ 150,00 reais a dose.

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