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Premiações compradas por políticos com recursos públicos, denunciadas pelo Fantástico, serão investigadas pelo MP

REDAÇÃO – O comércio de diplomas de mérito para vereadores, prefeitos e secretários municipais será investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais. Políticos mineiros são suspeitos de usarem recursos públicos para conquistar as premiações. As empresas que fornecem os prêmios são a União Brasileira de Divulgação, ou UBD, de Pernambuco, e o Instituto Tiradentes, de Minas Gerais. Juntas, as duas instituições promovem até 20 premiações por ano, conforme denúncia exibida no Fantástico do último domingo (5).

Políticos de Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e várias outras cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço, indicados para receber tal premiação, estão mira do Ministério Público, suspeitos de comprar premiações de “melhor vereador e prefeito” com o dinheiro público, além do uso de diárias de viagens para recebimento de tais premiações.

FALTA DE CRITÉRIOS

Para mostrar a falta de critérios na hora de conceder esse tipo de premiação, a reportagem do Fantástico conseguiu negociar a compra de um diploma para um jumento – o jumento Precioso. Para mostrar como a UDB vende prêmios, o repórter da RBS TV mandou uma mensagem para o celular da empresa.

Quando começa a conversa, o repórter se apresenta como assessor de prefeituras gaúchas. Em pouco tempo, fecha a compra da premiação do “prefeito Precioso” por R$ 1.480. Na véspera do evento da UBD em Recife, a reportagem entrega o dinheiro ao dono da empresa, Fernando Vieira da Cunha, e recebe a medalha e o diploma.

JUMENTO PREFEITO NOTA 10

O  Precioso é um “gestor nota 10”, classificado na pesquisa nacional de utilidade pública entre os “100 melhores prefeitos do Brasil”.

Nos eventos, os políticos recebem diploma de “vereador mais atuante” ou “prefeito mais atuante”. A maioria dos participantes desse tipo de evento usa dinheiro público para pagar pelas inscrições e também gasta diárias pagas pela prefeitura ou pela Câmara para ir nas cerimônias.

Um levantamento do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul mostra que só no estado o Instituto Tiradentes faturou R$ 116 mil em 2016 e 2017, com três eventos. O Instituto até promove seminários juntamente com a entrega dos prêmios. Mas, o Ministério Público do Rio Grande do Sul acha que os seminários são apenas uma desculpa.

“É uma maneira de vender melhor o encontro, de maquiar, na verdade, a falcatrua que se esconde por trás e o conluio existente entre a empresa e o agente público. Esses eventos visam claramente à promoção pessoal do gestor, do agente público e, de outro lado, o lucro das empresas. Nenhuma finalidade pública”, declarou o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen.

O procurador diz que não existem critérios para escolha dos melhores gestores do Brasil. “O critério é, sim, aqueles prefeitos e vereadores que se dispuseram a custear com verba pública o lucro da empresa que promove esse falso evento”.

NOTA

Em nota, o Instituto Tiradentes diz que não comercializa medalhas e diplomas de mérito, nem certificados de participação em seus seminários e afirmou que a empresa encaminha correspondências às Câmaras municipais solicitando a atualização dos dados dos vereadores em exercício.

Fonte: Portal G1

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